segunda-feira, 28 de novembro de 2011
A CONFISSÃO BELGA
Contendo a síntese da doutrina de Deus e da salvação eterna do homem ARTIGO 1 Só existe um Deus Todos nós cremos com o coração, e confessamos com a boca,1 que só existe um Deus,2 que é um Ser espiritual e sim- ples;3 Ele é eterno,4 incompreensível,5 invisível,6 imutável,7 infi- nito,8 onipotente,9 perfeitamente sábio,10 justo,11 bom12 e a fonte transbordante de todo o bem.13 1. Rm 10.10; 2. Dt 6.4; 1Co 8.4; 1Tm 2.5; 3. Jo 4.24; 4. Sl 90.2; 5. Rm 11.33; 6. Cl 1.15; 1Tm 6.16; 7. Tg 1.15; 8. 1Rs 8.27; Jr 23.24; 9. Gn 17.1; Mt 19.26; Ap 1.8; 10. Rm 16.27; 11. Rm 3.25, 26; Rm 9.14; Ap 16.5, 7; 12. Mt 19.17; 13. Tg 1.17. ARTIGO 2 Como Deus se faz conhecido a nós Nós o conhecemos por dois meios. Primeiro: pela criação, preservação e governo do Universo, exposto aos nossos olhos como o mais magnífico dos livros,1 no qual todas as criaturas grandes e pequenas são como as muitas letras que nos levam a reconhecer claramente “os atributos in- visíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade”, como nos diz o apóstolo Paulo em Rm 1.20. Todas essas coisas são suficientes para convencer os homens e torná-los indesculpáveis. Segundo: Ele se faz conhecer mais clara e plenamente através da Sua Santa e Divina Palavra2 — tanto quanto para nós é necessário nesta vida — para a Sua glória e nossa salvação. 1. Sl 19.1-4; 2. Sl 19.7, 8; 1Co 1.18-21. ARTIGO 3 A Palavra de Deus Confessamos que a Palavra de Deus não foi enviada nem produzida pela “vontade humana; entretanto, homens santos fa- laram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo”, como afirma o apóstolo Pedro (2Pe 1.21). Após isto Deus, em Seu es- pecial cuidado por nós e nossa salvação, ordenou que os profetas e os apóstolos, Seus servos, registrassem por escrito a Sua Pala- vra revelada;1 tendo Ele mesmo escrito com os próprios dedos as duas tábuas da lei.2 É por isso que chamamos esses escritos de Sagradas e Divinas Escrituras.3 1. Êx 34.27; Sl 102.18; Ap 1.11, 19; 2. Êx 31.18; 3 2Tm 3.16. ARTIGO 4 Os livros canônicos Cremos que as Sagradas Escrituras constituem-se de duas partes: o Velho e o Novo Testamentos, que são canônicos e con- tra os quais nada se pode pretextar. Esta é a relação dos livros reconhecidos pela igreja de Deus: • Os livros do Velho Testamento são: Cinco livros de Moisés: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio; Doze livros históricos: Josué, Juízes, Rute, I e II Samuel, I e II Reis, I e II Crônicas, Esdras, Neemias, Ester; Cinco livros poéticos: Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos; Quatro profetas maiores: Isaías, Jeremias (com Lamentações), Ezequiel e Daniel; Doze profetas menores: Oséias, Joel, Amós, Oba- dias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofo- nias, Ageu, Zacarias e Malaquias. • Os livros do Novo Testamento são: Quatro evangelhos: Mateus, Marcos, Lucas e João; Os Atos dos Apóstolos; As treze cartas do apóstolo Paulo: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossen- ses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito e Filemon; A carta aos Hebreus; As outras sete cartas: Tiago, I e II Pedro, I, II e III João e Judas; E a revelação do apóstolo João: Apocalipse. ARTIGO 5 A autoridade das Sagradas Escrituras Recebemos1 todos esses livros — e eles somente — como sagrados e canônicos para regular, fundamentar e confirmar a nossa fé.2 Cremos, sem dúvida nenhuma, em tudo o que eles contêm, não tanto porque a igreja assim os recebe e aprova, mas principalmente porque o Espírito Santo testifica em nossos co- rações que eles vêm de Deus,3 como eles mesmos provam; pois até os cegos podem perceber que as coisas preditas neles estão a se cumprir.4 1. 1Ts 2.13; 2. 2Tm 3.16, 17; 3. 1Co 12.3; 1Jo 4.6; 1Jo 5.7; 4. Dt 18.21, 22; 1Rs 22.28; Jr 28.9; Ez 33.33. ARTIGO 6 A diferença entre os livros canônicos e os livros apócrifos Distinguimos esses livros sagrados dos apócrifos, que são os seguintes: III e IV Esdras, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiás- tico, Baruc, os acréscimos aos livro de Ester e Daniel (o cântico de Azarias na fornalha, o cântico dos três jovens na fornalha, a estória de Suzana, Bel e o Dragão), a oração de Manassés e I e II Macabeus. A igreja pode ler e tirar deles instrução até onde concordarem com os livros canônicos. Mas não têm nenhum poder nem autoridade que possam confirmar pelo seu testemunho qualquer artigo da fé ou da religião cristã; muitos menos podem diminuir a autoridade dos livros sagrados.“Se alguém vem ter convosco e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas” (2Jo 1.10). 1. 2Tm 3.16, 17; 1Pe 1.10-12; 2. 1Co 15.2; 1Tm 1.3; 3. Dt 4.2; Pv 30.6; At 26.22; 1Co 4.6; Ap 22:18, 19; 4. Sl 19.7; Jo 15.15; At 18.28; 20.27; Rm 15.4; 5. Mc 7.7-9; At 4.19; Cl 2.8; 1Jo 2.19; 6. Dt 4.5, 6; Is 8.20; 1Co 3.11; Ef 4.4-6; 2Ts 2.2; 2Tm 3.14, 15. ARTIGO 7 A suficiência da Sagrada Escritura Cremos que a Sagrada Escritura contém perfeitamente a vontade de Deus e que ensina suficientemente tudo aquilo que o homem precisa saber para ser salvo.1 Nela está detalhado e escrito cabalmente o modo de adoração que Deus requer de nós. Por isso, não é lícito a ninguém, nem mesmo a apóstolos, nada ensinar que seja diferente daquilo que agora nos ensina a Sagrada Escritura;2 sim, nem que seja “um anjo vindo do céu”, como afirma o apóstolo Paulo (Gl 1.8). A proibição de acrescentar ou retirar qualquer coisa da Palavra de Deus (Dt 12.32),3 é evidência que a doutrina nela contida é perfeitíssima e completíssima em todos os sentidos.4 Não nos é permitido considerar quaisquer escritos de ho- mens, por mais santos que tenham sido, como de igual valor ao das Escrituras Divinas; nem devemos considerar que costumes, maiorias, antiguidade, sucessão de tempos e de pessoas, concí- lios, decretos ou estatutos tenham o mesmo valor da verdade de Deus, porque a verdade está acima de tudo. Pois todos os homens são em si mesmos mentirosos e “mais leves que a vaidade” (Sl 62.9). Por isso, rejeitamos de todo o coração tudo aquilo que discorde dessa regra infalível,6 conforme nos ensinou o apóstolo: “provai os espíritos se procedem de Deus” (1Jo 4.21), e também: "Se alguém vew ter convosco e nâo traz esta doutrina, nâo o recebais em casa, nem lhe deis as boas-vindas" (2Jo 1.10). 1. 2Tm 3.16, 17; 1Pe 1.10-12; 2. 1Co 15.2; 1Tm 1.3 3. Dt 4.2; Pv 30.6; At 26.22; 1Co 4.6; Ap 22:18, 19; 4. Sl 19.7; Jo 15.15; At 18.28; 20.27; Rm 15.4; 5. Mc 7.7-9; At 4.19; Cl 2.8; 1Jo 2.19; 6. Dt 4.5, 6; Is 8.20; 1Co 3.11; Ef 4.4-6; 2Ts 2.2; 2Tm 3.14, 15. ARTIGO 8 Trindade — Deus é um em essência, contudo distincto em três pessoas De acordo com essa verdade e a Palavra de Deus, cremos em um só Deus,1 uno na essência, em quem há três pessoas dis- tintas — de modo real, verdadeiro e eterno — conforme os Seus atributos incomunicáveis: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.2 O Pai é a causa, a origem e o princípio de todas as coisas visíveis e invisíveis.3 O Filho é a Palavra, a sabedoria, e a imagem do Pai.4 O Espírito Santo é a força e o poder eternos que procedem do Pai e do Filho.5 Deus, contudo, não está divido em três, pois as Sagradas Escrituras nos ensinam que o Pai, o Filho e o Espírito Santo cada um tem Sua própria pessoa diferençada por Seus atributos, mas de tal modo que as três pessoas são apenas um único Deus. É evidente, então, que o Pai não é o Filho e que o Filho não é o Pai; e também que o Espírito Santo não é o Pai nem, o Filho. Todavia essas pessoas distintas não estão divididas, nem misturadas entre si; pois o Pai não assumiu a nossa carne e san- gue, nem também o Espírito Santo, mas somente o Filho. O Pai jamais existiu sem Seu Filho6 ou sem Seu Espírito Santo, pois os três, em uma única e mesma essência, são iguais em eternidade. Não há primeiro nem último, pois todos os três são um em ver- dade, poder, bondade e misericórdia. 1. 1Co 8.4-6; 2. Mc 3.16, 17; Mt 28.19; 3. Ef 3.14, 15; 4. Pv 8.22-31; Jo 1.14; 5.17-26; 1Co 1.24; Cl 1.15-20; Hb 1.3; Ap 19.13; 5. Jo 15.26; 6. Mq 5.2; Jo 1.1, 2. ARTIGO 9 O testemunho da Escritura sobre a Trindade Tudo isso sabemos tanto pelo testemunho da Sagrada Escritura1 quanto pelas obras de cada uma das três Pessoas e es- pecialmente por aquelas que percebemos em nós mesmos. Os testemunhos da Escritura que nos ensinam a crer na Trindade Santa estão registrados em muitos lugares no Velho Testamento. Não é necessário citá-los todos, basta selecionar criteriosamente a alguns deles. No livro de Gênesis 1.27 e 26, Deus diz: “Façamos o ho- mem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança .... Criou Deus, pois, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Assim também em Gênesis 3.22: “Eis que o homem se tornou como um de Nós”. Quando Deus diz: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança, evidencia-se que existe mais do que uma Pessoa Divina; e ao dizer: Criou Deus, demonstra-se que só existe um único Deus. É verdade que não se diz quantas Pessoas são, mas aquilo que no Velho Testamento parece um tanto obscuro, no Novo Testamento fica totalmente claro. Pois quando o nosso Senhor foi batizado no rio Jordão, ouviu-se a voz do Pai que disse: “Este é o meu Filho amado” (Mt 3.17), enquanto o Filho foi visto na água e o Espírito Santo desceu sobre Ele na forma corpórea de uma pomba.2 Além disso Cristo prescreveu a seguinte fórmula para o batismo de todos os crentes: “batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). No Evangelho segundo Lucas o anjo Gabriel assim diz a Maria, mãe do nosso Senhor: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altís- simo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). E de modo semelhante: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2Co 13.14). Em todas essas referências somos amplamente ensinados que existem três Pessoas em uma única essência. Embora tal doutrina ultrapasse o entendimento humano, na vida presente cremos nela alicerçados na Palavra de Deus, e esperamos gozar de seu pleno conhecimento e fruto no céu porvir. Temos, acima de tudo, que observar os ofícios e as obras distintos dessas três Pessoas para conosco. O Pai é chamado nosso Criador por Seu poder; o Filho, nosso Salvador e Redentor por Seu sangue; o Espírito Santo, nosso Santificador, porque ha- bita em nossos corações. A doutrina da Santa Trindade sempre tem sido mantida na verdadeira igreja, dos dias apostólicos até o presente, contra os judeus, os mulçumanos, e contra os fal- sos cristãos e os hereges como Marcião, Mani, Práxeas, Sabélio, Paulo de Samósata, Ário, e outros, que foram condenados de modo justo pelos pais ortodoxos. Quanto a essa doutrina, por- tanto, aceitamos de boa vontade os três credos: o Apostólico, o Niceno, e o Atanasiano; bem como o que os pais antigos estabe- leceram em concordância com estes credos. 1. Jo 14.16; Jo 15.26; At 2.32, 33; Rm 8.9; Gl 4.6; Tt 3.4-6; 1Pe 1.2; 1Jo 4.13, 14; 1Jo 5.1-12; Jd 20,21; Ap 1.4,5; 2. Mt 3:16. ARTIGO 10 Jesus Cristo: eterno e verdadeiro Deus Cremos que Jesus Cristo é, segundo a Sua natureza Divi- na, o Filho Unigênito de Deus,1 gerado desde a eternidade, não feito nem criado — senão seria uma criatura — mas é da mesma substância e co-eterno com o Pai, “é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser” (Hb 1.3) e em tudo igual a Ele.2 Ele é o Filho de Deus não somente desde que assumiu a nossa natu- reza, mas desde a eternidade,3 conforme nos ensina a compara- ção dos seguintes testemunhos: Moisés afirma que Deus criou o mundo;4 o apóstolo João diz que tudo foi criado pelo Verbo, ao qual chama Deus.5 A Carta aos Hebreus diz que Deus criou o mundo por meio do Seu Filho;6 igualmente o apóstolo Paulo afirma que Deus criou todas as coisas por meio de Jesus Cristo.7 Portanto, conclui-se necessariamente que Àquele a quem cha- mam de Deus, de Verbo, de Filho e de Jesus Cristo, existia de fato já no tempo em que todas as coisas foram criadas por Ele. Por isso é que Ele pôde dizer: “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8.58), e pôde orar: “glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5). Logo, Ele é o Deus Verdadeiro e Eterno, o Onipotente a quem invocamos, adoramos e servimos. 1. Mt 17.5; Jo 1.14, 18; Jo 3.16; Jo 14.1-14; Jo 20.17, 31; Rm 1.4; Gl 4.4; Hb 1.2; 1Jo 5.5, 9-12; 2. Jo 5.18, 23; Jo 10.30; Jo 14.9; Jo 20.28; Rm 9.5; Fp 2.6; Cl 1.15; Tt 2.13; Hb 1.3; Ap 5.13; 3. Jo 8.58; Jo 17.5; Hb 13.8; 4. Gn 1.1; 5. Jo 1.1-3; 6. Hb 1.2; 7. 1Co 8.6; Cl 1:16. ARTIGO 11 O Espírito Santo: eterno e verdadeiro Deus Cremos e confessamos também que o Espírito Santo pro- cede do Pai e do Filho desde a eternidade. Ele não foi feito, nem criado, nem gerado; pode-se afirmar apenas que Ele procede de ambos.1 Ele é, pela ordem, a Terceira Pessoa da Trindade, de igual substância majestade e glória com o Pai e o Filho, verda- deiro e eterno Deus, conforme nos ensina as Sagradas Escritu- ras.2 1. Jo 14.15-26; Jo 15.26; Rm 8.9; 2. Gn 1.2; Mt 28.19; At 5.3, 4; lCo 2.10; 1Cor 3:16; 1Co 6.11; 1Jo 5.7. ARTIGO 12 A criação de todas as coisas, especialmente dos anjos Cremos que o Pai criou por Sua Palavra — isto é, por meio de Seu Filho o Verbo — o céu, a terra e todas as criaturas do nada, quando bem Lhe aprouve,1 e que, a cada uma delas, con- cedeu o ser, a forma, e a aparência, e a cada uma a própria fun- ção específica para servirem ao seu Criador. Cremos que Ele também continua a sustentá-las e a governá-las segundo a Sua providência eterna, pelo Seu poder infinito, para que sirvam ao homem, a fim de que o homem possa servir ao seu Deus. Ele também criou os anjos bons, para serem Seus mensa- geiros e servirem a Seus eleitos.2 Da posição de exaltação em que foram criados por Deus, alguns deles caíram na perdição eterna,3 tendo os demais, pela graça de Deus, permanecido fir- mes em seu estado original. Os demônios e os espíritos malignos são tão corrompidos que são inimigos de Deus e de todo o bem.4 Ficam de espreita como assassinos para, com todas as suas for- ças, arruinarem a igreja e a todos os seus membros e para tudo destruírem com os seus artifícios malignos.5 Por isso, pela pró- pria malignidade deles, estão condenados à perdição eterna e aguardam a cada dia os seus horríveis tormentos.6 Assim, abominamos e rejeitamos o erro dos Saduceus, que negam a existência de espíritos e de anjos;7 e também os erros dos Maniqueístas, que dizem que os demônios não foram cria- dos, mas que têm origem em si mesmos e que não se corrompe- ram, sendo malignos pela própria natureza. 1. Gn 1.1; Gn 2.3; Is 40.26; Jr 32.17; Cl 1.15, 16; lTm 4.3; Hb 11.3; Ap 4.11; 2. Sl 103.20, 21; Mt 4.11; Hb 1.14; 3. Jo 8.44; 2Pe 2.4; Jd 6; 4. Gn 3.1-5; lPe 5.8; 5. Ef 6.12; Ap 12.4, 13-17; Ap 20.7-9; 6. Mt 8.29; Mt 25.41; Ap 20.10; 7. At 23.8. ARTIGO 13 A Providência de Deus Cremos que o bom Deus, depois de haver criado todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao destino ou aca- so,1 mas segundo a Sua santa vontade Ele as rege e governa de tal modo que no mundo nada acontece sem a Sua determina- ção.2 Deus, contudo, não é o autor nem é culpável dos pecados que se cometem,3 pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz a Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça.4 E quanto àquilo que Ele faz que ultrapassa o entendimento humano, não queremos investigar curiosamente além da nossa capacidade de entender. Mas adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos.5 Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, que de- vem aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites.6 Essa doutrina nos traz uma consolação indizível, quando nos ensina que nada nos acontece por acaso, mas somente pela determinação do nosso gracioso Pai celestial. Ele cuida de nós com zelo paternal, guardando as Sua criaturas de tal modo que debaixo do Seu poder que nem mesmo um cabelo da nossa ca- beça — pois estão todos contados — ou um pardal cai por terra sem o consentimento do nosso Pai (Mt 10.29, 30). Nisso confia- mos, pois sabemos que Ele reprime o maligno e todos os nossos inimigos para que não possam nos ferir sem a Sua permissão ou vontade.7 Por isso rejeitamos o detestável erro dos epicureus, que afirmam que Deus não se importa com nada, mas tudo entrega ao acaso. 1. Jo 5.17; Hb 1.3. 2. Sl 115.3; Pv 16.1, 9, 33; Pv 21.1; Ef 1.11, 12; Tg 4.13-15. 3. Tg 1.13; 1Jo 2.16. 4. Jó 1.21; Is 10.5; Is 45.7; Am 3.6; At 2.23; At 4.27,28. 5. 1Rs 22.19- 23; Rm 1.28; 2Ts 2.11. 6. Dt 29.29; 1Co 4.6. 7. Gn 45.8; Gn 50.20; 2Sm 16.10; Rm 8.28, 38, 39. ARTIGO 14 A criação e queda do homem e a sua incapacidade de realizar o que seja verdadeiramente bom Cremos que Deus criou o homem do pó da terra1 e o fez e o formou à Sua imagem e semelhança: bom, justo e santo.2 A 22 sua vontade ajustava-se à vontade de Deus em tudo. Mas quando o homem estava naquele estado sublime, ele não o compreendeu nem reconheceu a sua posição excelente, mas acolheu as pala- vras do diabo e sujeitou-se por livre vontade ao pecado e, assim, à morte e à maldição.3 Transgrediu o mandamento de vida que recebera, e por seu pecado apartou-se de Deus, que era a sua vida verdadeira, corrompendo toda a sua natureza e tornando-se, pois, merecedor da morte física e espiritual.4 Havendo se tornado ímpio e perverso, corrupto em todas as suas práticas, perdeu todos os dons excelentes5 que havia re- cebido de Deus. Nada lhe restou disso senão uns poucos ves- tígios, suficientes para torná-lo indesculpável.6 Logo, qualquer luz que há em nós transformou-se em trevas,7 como nos ensina a Escritura: “A luz resplandece nas trevas, e as trevas não pre- valeceram contra ela” (Jo 1.5). Aqui o apóstolo João chama a natureza humana de “trevas”. Rejeitamos, portanto, todo ensinamento sobre o livre-arbí- trio que seja contrário a isso, porque o homem não passa de es- cravo do pecado (Jo 8.34) e ninguém “pode receber coisa algu- ma se do céu não lhe for dada” (Jo 3.27). Pois, quem é que ousa vangloriar-se de poder por si mesmo fazer algum bem, quando Cristo afirma que: “Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer” (Jo 6.44)? Quem se gloriará da sua von- tade própria, depois de compreender que “o pendor da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7)? Quem pode falar do seu entendimento, quando “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus” (1Co 2.14)? Em resumo, quem é que ousa reivindicar, seja o que for, quando entende que não somos ca- pazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós mesmos, mas que a nossa capacidade vem de Deus (2Co 3.5)? Por isso, aquilo que o apóstolo diz deve justamente permanecer certo e firme: “porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Porque não há entendimento, nem vontade ajustada ao entendimento e à vontade de Deus, se Cristo não o efetuar em nós, segundo Ele nos ensina: “sem mim nada podeis fazer” (Jo 15.5). 1. Gn 2.7; Gn 3.19; Ec 12.7. 2. Gn 1.26, 27; Ef 4.24; Cl 3.10. 3. Gn 3.16-19; Rm 5.12. 4. Gn 2.17; Ef 2.1; Ef 4.18. 5. Sl 94.11; Rm 3.10; Rm 8.6. 6. Rm 1.20, 21. 7. Ef 5.8.ARTIGO 15 O pecado original Cremos que pela desobediência de Adão o pecado original se estendeu a toda a raça humana.1 Esse pecado é a corrupção de toda a natureza humana2 e um mal hereditário que contamina até mesmo as criancinhas no ventre de suas mães.3 Como raiz, produz no homem toda a sorte de pecados. É, portanto, tão vil e enorme diante de Deus que é suficiente para condenar a raça humana.4 Não é eliminado ou erradicado, nem mesmo pelo ba- tismo, pois o pecado sempre jorra desta corrupção como a água corrente de uma fonte contaminada.5 Mas apesar de tudo isso o pecado original não é imputado para a condenação dos filhos de Deus, mas por Sua graça e misericórdia lhes é perdoado.6 Isso não significa que os crentes podem descansar tranqüilamente em seus pecados, mas que a consciência dessa corrupção mui- tas vezes pode fazê-los gemer, na ansiosa expectativa de serem libertos do corpo dessa morte. A esse respeito, repudiamos o erro dos pelagianos que dizem ser esse pecado apenas uma questão de imitação. 1. Rm 5.12-14, 19. 2. Rm 3.10. 3. Jó 14.4; Sl 51.5; Jo 3.6. 4. Ef 2.3. 5. Rm 7.18, 19. 6. Ef 2.4, 5. ARTIGO 16 A eleição divina Cremos que quando toda a descendência de Adão se pre- cipitou na perdição e na ruína pela transgressão do primeiro homem,1 Deus mostrou-se como realmente é: misericordioso e justo. Misericordioso por socorrer e salvar desta perdição aos que, em Seu conselho eterno e imutável2 Ele elegeu3 por pura bondade em Jesus Cristo nosso Senhor,4 sem levar em conside- ração nenhuma das obras deles.5 Justo por deixar os outros na queda e na perdição nas quais eles mesmos se precipitaram. 1. Rm 3.12. 2. Jo 6.37, 44; Jo 10.29. Jo 17. 2, 9, 12; Jo 18.9. 3. 1Sm 12.22; Sl 65.4; At 13.48; Rm 9.16; Rm 11.5; Tt 1.1. 4. Jo 15.16, 19; Rm 8.29; Ef 1.4, 5. 5. Ml 1.2, 3; Rm 9.11-13; 2Tm 1.9; Tt 3.4, 5. 6. Rm 9.19-22; 1Pe 2.8. ARTIGO 17 O socorro do homem caído Cremos que o nosso Deus gracioso, ao ver que o homem se precipitara na morte física e espiritual e se fizera completa- mente miserável, em Sua maravilhosa sabedoria e bondade saiu em busca dele quando fugiu trêmulo da Sua presença.1 Deus o consolou com a promessa de que lhe daria o Seu Filho, nascido de mulher (Gl 4.4), para esmagar a cabeça da serpente (Gn 3.15) e torná-lo bem-aventurado.2 1. Gn 3.9. 2. Gn 22.18; Is 7.14; Jo 1.14; Jo 5.46; Jo 7.42; At 13.32, 33; Rm 1.2, 3; Gl 3.16; 2Tm 2.8; Hb 7.14. ARTIGO 18 A encarnação do Filho de Deus Confessamos, portanto, que Deus cumpriu a promessa que fizera aos patriarcas pela boca de Seus santos profetas1 quando, no tempo determinado por Ele,2 enviou Seu próprio Filho unigê- nito e eterno ao mundo, que assumiu a forma de servo e nasceu à semelhança de homem (Fp 2.7). Ele verdadeiramente assumiu a natureza humana verdadeira com todas as suas fraquezas,3 sem pecado.4 Foi concebido no ventre da bendita virgem Maria pelo poder do Espírito Santo e não pela ação do homem.5 Para que fosse verdadeiramente homem Ele não apenas assumiu a natu- reza humana quanto ao corpo, mas também uma alma humana verdadeira. Pois, assim como o corpo e a alma estavam perdidos, foi necessário que assumisse os dois para que ambos fossem salvos. Por isso confessamos (contrários à heresia dos Anabatistas que negam que Cristo assumiu a natureza carnal da Sua mãe) que Cristo partilhou da carne e do sangue dos filhos (Hb 2.14). Ele é da descendência de Davi (At 2.30); nascido da descendên- cia de Davi segundo a carne (Rm 1.3); fruto do ventre da virgem Maria (Lc 1.42); nascido de mulher (Gl 4.4); um renovo de Davi (Jr 33.15); rebento do tronco de Jessé (Is 11.1); procedente da tribo de Judá (Hb 7.14); descendente dos judeus segundo a carne (Rm 9.5); da semente de Abraão,6 pois o Filho estava ligado à descendência de Abraão. Por isso Ele tinha de ser igual aos Seus irmãos em todos os aspectos, contudo sem pecado (Hb 2.16, 17; Hb 4.15). Assim Ele é verdadeiramente o nosso Emanuel, isso é, Deus conosco (Mt 1.23). 1. Gn 26.4; 2Sm 7.12-16; Sl 132.11; Lc 1.55; At 13.23. 2. Gl 4.4. 3. 1Tm 2.5; 1Tm 3.16; Hb 2.14. 4. 2Co 5.21; Hb 7.26; 1Pe 2.22. 5. Mt 1.18; Lc 1.35. 6. Gl 3.16. ARTIGO 19 As duas naturezas na única pessoa de Cristo Cremos que, por essa concepção, a pessoa do Filho de Deus está inseparavelmente unida e ligada à natureza humana,1 de modo que não há dois filhos de Deus, nem duas pessoas, mas duas naturezas unidas em uma única pessoa. Cada uma delas mantém as sua características distintas: a Sua natureza Divina permaneceu sempre não-criada, sem começo de dias nem fim de vida (Hb 7.3), preenchendo céu e terra.2 A Sua natureza humana não perdeu as suas características: tem começo de dias e continua criada; é finita e conserva todos os atributos de um corpo verdadeiro.3 No entanto, pela Sua ressurreição, concedeu Ele imortalidade à Sua natureza humana, não havendo modificado a realidade dela,4 pois a nossa salvação e ressurreição dependem também da realidade do Seu corpo.5 Contudo, essas duas naturezas estão tão intimamente unidas em uma única pessoa que não foram separadas nem mesmo por Sua morte. Ao morrer, portanto, Ele rendeu nas mãos do Pai um espírito humano verdadeiro que se apartou do Seu cor- po.6 Entretanto a Sua divindade permaneceu sempre unida à Sua natureza humana, até mesmo quando Ele jazia na sepultura.7 A natureza divina sempre esteve presente nEle, exatamente como quando era uma criancinha, embora por algum tempo não se tivesse manifestado. Por isso confessamos que Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: verdadeiro Deus a fim de vencer a morte pelo Seu poder; e verdadeiro homem a fim de morrer por nós segundo as fraquezas da Sua carne. 1. Jo 1.14; Jo 10.30; Rm 9.5; Fp 2.6,7. 2. Mt 28.20. 3. 1Tm 2.5. 4. Mt 26.11; Lc 24.39; Jo 20.25; At 1.3,11; At 3.21; Hb 2.9. 5. 1Co 15.21; Fp 3.21. 6. Mt 27.50. 7 Rm 1.4. ARTIGO 20 A justiça e misericórdia de Deus em Cristo Cremos que Deus, que é perfeitamente misericordioso e justo, enviou o Seu Filho para assumir a mesma natureza em que se cometera a desobediência,1 para fazer satisfação nessa mesma natureza e suportar o castigo do pecado através de Seu sofri- mento e morte mui amargos.2 Deus, assim, manifestou a Sua justiça contra o Seu Filho quando colocou sobre Ele as nossas iniqüidades3 e sobre nós, que éramos culpados e merecedores da condenação eterna, derramou a Sua bondade e misericórdia. Por amor perfeitíssimo Ele entregou o Seu Filho para morrer por nós e o ressuscitou para a nossa justificação,4 a fim de que por Ele possamos obter imortalidade e vida eternal. 1. Rm 8.3. 2. Hb 2.14. 3. Rm 3.25, 26; Rm 8.32. 4. Rm 4.25. ARTIGO 21 A satisfação de Cristo, nosso Sumo Sacerdote Cremos que Jesus Cristo foi confirmado por juramento para ser Sumo Sacerdote para sempre, segundo a ordem de Mel- quisedeque.1 Ele se apresentou em nosso lugar diante de Seu Pai, aplacando-Lhe a ira e satisfazendo-O totalmente2 pela oferta de Si mesmo sobre o madeiro da cruz, onde verteu o Seu precioso sangue para a purificação dos nossos pecados,3 conforme pre- disseram os profetas.4 Pois está escrito: “O castigo que nos traz a paz estava sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados”;5 “Como cordeiro foi levado ao matadouro”; “Foi contado com os transgressores” (Is 53.5, 7, 12)6 e condenado como um crimi- noso por Pôncio Pilatos, que no entanto havia antes declarado a Sua inocência.7 Ele restituiu o que não havia roubado (Sl 69.4). Ele morreu como o justo pelos injustos (1Pe 3.18).8 Ele sofreu no corpo e na alma, sentindo o castigo terrível causado pelos nossos pecados, e o “Seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra” (Lc 22.44). Finalmente Ele exclamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46). Tudo isso Ele suportou para o perdão dos nossos pecados. Por essa causa dizemos, exatamente como Paulo, que nada sabemos “senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1Co 2.2). Consideramos “tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus” nosso Senhor (Fp 3.8). Nas suas feridas encontramos consolação e não temos necessidade de buscar ou de inventar qualquer outro meio de reconciliação com Deus senão esse único sacrifício, ofertado uma única vez, através do qual os que crêem foram aperfeiçoados para sempre (Hb 10.14).10 Por isso o anjo de Deus O chamou de Jesus, isto é, Salvador, “porque ele salvará o Seu povo dos pecados deles” (Mt 1.21).11 1. Sl 110.4; Hb 7.15-17. 2. Rm 4.25; Rm 5.8, 9; Rm 8.32; Gl 3.13; Cl 2.14; Hb 2.9, 17; Hb 9.11-15. 3. At 2.23; Fp 2.8; 1Tm 1.15; Hb 9.22; 1Pe 1.18, 19; 1Jo 1.7; Ap 7.14. 4. Lc 24.25-27; Rm 3.21; 1Co 15.3. 5. 1Pe 2.24. 6. Mc 15.28. 7. Jo 18.38. 8. Rm 5.6. 9. Sl 22.15. 10. Hb 7.26-28; Hb 9.24-28. 11. Lc 1.31; At 4.12. ARTIGO 22 A nossa justificação pela fé em Cristo Cremos que para podermos obter o verdadeiro conheci- mento desse grande mistério, o Espírito Santo acende em nossos corações uma fé verdadeira.1 Fé que abraça Jesus Cristo com todos os Seus méritos, que se apropria dEle e nada busca além dEle mesmo.2 Pois das duas, uma: ou em Jesus Cristo não há tudo de que precisamos para a nossa salvação, ou tudo se acha nEle e então aquele que possui Jesus Cristo pela fé, tem plena salvação.3 É, portanto, uma terrível blasfêmia afirmar que Cristo não é suficiente, mas que se faz necessário algo além dEle pois resultaria assim que Cristo é apenas um meio Salvador. Por isso, dizemos exata e corretamente como Paulo que somos justificados pela fé, independentemente das obras da lei (Rm 3.28).4 Contudo, não entendemos isto, estritamente falando, com se a própria fé nos justificasse,5 pois ela é apenas o instru- mento com que abraçamos Cristo, justiça nossa. Ele nos imputa todos os Seus méritos e todas as obras santas que tem feito por nós e em nosso lugar.6 Assim, pois, Jesus Cristo é a nossa justiça e a fé é o instrumento que nos mantém com Ele na comunhão de todos os Seus benefícios. Quando estes se tornaram nossos, são mais do que suficientes para nos absolver dos nossos pecados. 1. Jo 16.14; 1Co 2.12; Ef 1.17, 18. 2. Jo 14.6; At 4.12; Gl 2.21. 3. Sl 32.1; Mt 1.21; Lc 1.77; At 13.38, 39; Rm 8.1. 4. Rm 3.19-4.8; Rm 10.4-11; Gl 2.16; Fp 3.9; Tt 3.5. 5. 1Co 4.7. 6. Jr 23.6; Mt 20.28; Rm 8.33; 1Co 1.30, 31; 2Co 5.21; 1Jo 4.10. ARTIGO 23 A nossa justiça diante de Deus Cremos que a nossa bem-aventurança fundamenta-se no perdão dos nossos pecados por causa de Jesus Cristo, e que nisso consiste a nossa justiça diante de Deus,1 segundo nos ensinam Davi e Paulo. Eles declaram que é “bem-aventurado o homem a quem Deus atribui justiça, independentemente de obras” (Rm 4.6; Sl 32.1). O apóstolo também diz que somos “justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24).2 Portanto sempre nos apegamos a esse fundamento firme. Damos toda a glória a Deus,3 humilhamo-nos diante dEle e re- conhecemos aquilo que realmente somos. Nada temos que rei- vindicar por causa de nós mesmos nem por mérito nosso,4 mas dependemos e descansamos somente na obediência de Jesus Cristo crucificado.5 Esta obediência é nossa quando cremos nEle.6 Ela é o suficiente para cobrir todas as nossas iniqüidades e, nos conceder a ousadia de nos aproximarmos de Deus, li- vrando as nossas consciências de temor, terror e assombro, de modo a não seguirmos o exemplo do nosso primeiro pai, Adão, que trêmulo tentou se esconder e se cobrir de folhas de figuei- ra.7 Certamente que seríamos consumidos se tivéssemos que aparecer diante de Deus confiados em nós mesmos (por pouco que fosse), ou em qualquer outra criatura (ai de nós!).8 Por isso todos devem dizer com Davi: ó SENHOR, “não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não há justo nenhum viven- te” (Sl 143.2). 1. 1Jo 2.1. 2. 2Co 5.18, 19; Ef 2.8; 1Tm 2.6. 3. Sl 115.1; Ap 7.10-12. 4. 1Co 4.4; Tg 2.10. 5. At 4.12; Hb 10.20. 6. Rm 4.23-25. 7. Gn 3.7; Sf 3.11; Hb 4.16; 1Jo 4.17-19. 8. Lc 16.15; Fp 3.4-9. ARTIGO 24 A nossa santificação e as boas obras Cremos que esta fé verdadeira operada no homem pelo ouvir da Palavra de Deus e pelo agir do Espírito Santo,1 re- genera-o e torna-o um novo homem;2 faz com que viva uma vida nova e o liberta da escravidão do pecado.3 Por isso não é verdade que essa fé justificadora o torna indiferente para viver uma vida santa e boa.4 Ao contrário, sem ela ninguém jamais poderia fazer nada por amor a Deus,5 mas somente por amor a si mesmo ou por medo da condenação. É, portanto, impos- sível que essa fé santa seja inoperante no homem, porque não falamos de uma fé vã, mas da que a Escritura chama de “a fé que atua pelo amor” (Gl 5.6). Esta fé leva o homem a exercitar- se às obras que Deus ordenou em Sua Palavra. As boas obras, que procedem da boa raiz da fé, são boas e aceitáveis à vista de Deus, porque são todas santificadas pela Sua graça. Apesar disso elas não cooperam para a nossa justificação, porque é pela fé em Cristo que somos justificados, antes mesmo de fazermos quaisquer boas obras.6 De outro modo essas obras não pode- riam ser boas, assim como o fruto da árvore não pode ser bom, se a árvore não for boa.7 Por isso que praticamos boas obras, não para termos mé- rito; pois, que mérito podemos ter? Antes, somos devedores a Deus pelas boas obras que praticamos,8 e não Ele a nós, “por- que Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2.13). Tenhamos sempre em mente o que está escrito: “Assim também vós, depois de haver- des feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc 17.10). Con- tudo, não negamos que Deus recompensa as boas obras,9 mas é pela Sua graça que Ele coroa os Seus dons. Além disso, embora pratiquemos boas obras não basea- mos nelas a nossa salvação. Pois nada podemos fazer, por míni- mo que seja, que não o contaminemos com a nossa carne e que não seja digno de punição.10 Ainda que pudéssemos apresentar uma única boa obra, a mera lembrança de um único pecado bastaria para Deus a rejeitar.11 Assim, estaríamos sempre em dúvida, lançados de uma lado para o outro sem certeza alguma e com as nossas pobres consciências sempre atormentadas se não confiássemos no mérito do sofrimento e da morte do nosso Salvador.12 1. At 16.14; Rm 10.17; 1Co 12.3. 2. Ez 36.26, 27; Jo 1.12, 13; Jo 3.5; Ef 2.4-6; Tt 3.5; 1Pe 1.23. 3. Jo 5.24; Jo 8.36; Rm 6.4-6; 1Jo 3.9. 4. Gl 5.22; Tt 2.12. 5. Jo 15.5; Rm 14.23; 1Tm 1.5; Hb 11.4, 6. 6. Rm 4.5. 7. Mt 7.17. 8. 1Co 1.30, 31. 1Co 4.7; Ef 2.10. 9. Rm 2.6, 7; 1Co 3.14; 2Jo .8; Ap 2.23. 10. Rm 7.21. 11. Tg 2.10. 12. Hc 2.4; Mt 11.28; Rm 10.11. ARTIGO 25 Cristo, o cumprimento da lei Cremos que as cerimônias e os símbolos da lei terminaram com a vinda de Cristo, e que todas as sombras foram cumpri- das,1 de modo que o uso delas deve ser abolido entre os cristãos. Contudo, a verdade e a substância delas permanecem para nós em Jesus Cristo, em quem foram cumpridas.2 No entanto ainda usamos os testemunhos tirados da Lei e dos Profetas, para nos confirmar nas doutrinas do Evangelho e para ordenarmos a nossa vida com toda honradez, conforme a vontade de Deus e para a Sua glória.3 1. Mt 27.51; Rm 10.4; Hb 9.9, 10. 2. Mt 5.7; Gl 3.24; Cl 2.17. 3. Rm 13.8-10; Rm 15.4; 2Pe 1.19; 2Pe 3.2. ARTIGO 26 A intercessão de Cristo Cremos que não temos acesso a Deus senão pelo único Mediador e Advogado, Jesus Cristo, o Justo.2 Com esse propó- sito Ele se tornou homem, unindo as duas naturezas, Divina e humana, para que nós homens não sejamos impedidos mas te- nhamos acesso à Majestade Divina.3 Mas, este Mediador que o Pai constituiu entre Ele e nós, não nos deve amedrontar por Sua grandeza, a ponto de fazer-nos procurar um outro, conforme a nossa imaginação. Pois não há ninguém, nem no céu, nem na terra, entre as criaturas, que nos ame mais que Jesus Cristo.4 “Pois Ele, subsistindo em forma de Deus, ... a Si mesmo se es- vaziou tornando-se em semelhança de homem, e assumindo a forma de servo” por nós” (Fp 2.6, 7), e em todas as coisas tornou- se semelhante a Seus irmãos (Hb 2.17). Contudo, se fôssemos procurar um outro intercessor, acaso encontraríamos algum que nos amasse mais do que Aquele que entregou a Sua vida por nós, mesmo quando éramos Seus inimigos (Rm 5.8, 10)? Se tivésse- mos que procurar alguém que tivesse autoridade e poder, quem os teria mais do que Ele, que está assentado à direita do Pai e que tem toda a autoridade no céu e na terra (Mt 28.18)? E quem será ouvido antes do que o próprio bem-amado Filho de Deus?6 Foi, portanto, a total falta de confiança que introduziu o costume de desonrar os santos, em vez de honrá-los, ao fazer o que eles mesmos jamais fizeram nem exigiram. Pelo contrário, como registram os seus escritos, sempre rejeitaram tal honra, como era seu dever7. Aqui não se deve alegar que não somos dig- nos, pois não apresentamos as nossas orações em razão de nossa própria dignidade, mas somente pela excelência e a dignidade de Jesus Cristo,8 cuja justiça é a nossa, mediante a fé.9 Por isso, pelo bom motivo de extrair de nós esse medo tolo, ou antes essa falta de confiança, o autor de Hebreus nos diz que convinha a Jesus Cristo que “em todas as coisas, se tornasse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel Sumo Sacerdote nas coisas referentes a Deus e para fazer pro- piciação pelos pecados do povo. Pois, naquilo que Ele mesmo sofreu, tendo sido tentado, é poderoso para socorrer os que são tentados” (Hb 2.17, 18). E depois, para nos encorajar mais ainda a procurá-lO, ele nos diz: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conserve- mos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao tro- no da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna” (Hb 4.14-16).10 A mesma carta diz: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus .... aproximemo-nos, com sin- cero coração, em plena certeza de fé etc.” (Hb 10.19, 22). Cristo, “no entanto, porque continua para sempre, tem o seu sacerdócio imutável. Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.24, 25).11 Então, que mais é necessário, visto que o próprio Cristo diz?: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Por que procuraríamos outro advogado, visto que aprouve a Deus dar-nos Seu Filho como o nosso Advogado? Não o abandonemos por um outro que jamais haveremos de encontrar. Pois quando Deus o deu a nós, bem sabia que éramos pecadores. Portanto, segundo o mandamento de Cristo, clamamos ao Pai celestial mediante Cristo, nosso único Mediador,12 como nos foi ensinado na oração do Senhor.13 E temos a certeza de que o Pai nos concederá tudo o que pedirmos em Seu nome (Jo 16.23).14 1. 1Tm 2 5. 2. 1Jo 2.1. 3. Ef 3.12. 4. Mt 11.28; Jo 15.13; Ef 3.19; 1Jo 4.10. 5. Hb 1.3; Hb 8.1. 6. Mt 3.17; Jo 11.42; Ef 1.6. 7. At 10.26; At 14.15. 8 Jr 17.5, 7; At 4.12. 9. 1Co 1.30. 10. Jo 10.9; Ef 2.18; Hb 9.24. 11. Rm 8.34. 12. Hb 13.15. 13. Mt 6.9-13; Lc 11.2- 4. 14. Jo 14.13.ARTIGO 27 A igreja cristã católica ou universal Cremos e professamos uma única igreja católica ou uni- versal,1 que é a santa congregação e assembléia2 dos verdadeiros crentes em Cristo, que aguardam a sua total salvação em Jesus Cristo,3 lavados por Seu sangue e santificados e selados pelo Espírito Santo.4 Essa igreja existe desde o princípio do mundo e existirá até o final, pois Cristo é Rei Eterno que não pode ficar sem sú- ditos.5 Essa santa igreja é preservada por Deus contra o furor do mundo inteiro,6 mesmo que por um tempo pareça, aos olhos do homem, mui pequena e quase extinta.7 Assim, no perigoso reino de Acabe, o Senhor preservou para Si sete mil pessoas que não dobraram os joelhos a Baal.8 Além disso, esta santa igreja não está confinada nem limi- tada a um lugar em particular nem a pessoas específicas, mas está espalhada e dispersa pelo mundo inteiro.9 Contudo, está in- tegrada e unida, de coração e vontade, em um único e mesmo Espírito, pelo poder da fé.10 1. Gn 22.18; Is 49.6; Ef 2.17-19. 2. Sl 111.1; Jo 10.14, 16; Ef 4.3-6; Hb 12.22, 23. 3. Jl 2.32; At 2.21. 4. Ef 1.13; Ef 4.30. 5. 2Sm 7.16; Sl 89.36; Sl 110.4; Mt 28.18, 20; Lc 1.32. 6. Sl 46.5; Mt 16.18. 7. Is 1.9; 1Pe 3.20; Ap 11.7. 8. 1Rs 19.18; Rm 11.4. 9. Mt 23.8; Jo 4.21-23; Rm 10.12, 13. 10. Sl 119.63; At 4.32; Ef 4.4. ARTIGO 28 O dever de juntar-se à Igreja Cremos que essa santa assembléia e congregação é a assembléia dos remidos e, que fora dela não há salvação;1 por isso ninguém, seja qual for a sua posição ou reputação, deve se retirar dela e contentar-se com sua própria pessoa. Todos, porém, são obrigados a se juntar e a se unir a ela,2 conservando a unidade da Igreja. Devem se submeter à sua instrução e disciplina,3 curvar suas cabeças sob o jugo de Jesus Cristo,4 e servir a edificação dos irmãos,5 conforme os talentos que Deus lhes concedeu como membros do mesmo corpo.6 Para que isso se cumpra eficazmente, é dever de todos os crentes, segundo a Palavra de Deus, se separar dos que não per- tencem à Igreja7 e se juntar a essa assembléia8 em todo lugar onde Deus a tenha estabelecido. Devem fazê-lo mesmo que go- vernos, leis e autoridades lhe sejam contrários, e mesmo que sejam punidos fisicamente ou com a morte.9 Portanto, todo o que se aparta da Igreja ou não se junta a ela contraria à ordenança de Deus. 1. Mt 16.18, 19; At 2.47; Gl 4.26; Ef 5.25-27; Hb 2.11, 12; Hb 12.23. 2. 2Cr 30.8; Jo 17.21; Cl 3.15. 3. Hb 13.17. 4. Mt 11.28-30. 5. Ef 4.12. 6. 1Co 12.7, 27; Ef 4.16. 7. Nm 16.23-26; Is 52.11, 12; At 2.40; Rm 16.17; Ap 18.4. 8. Sl 122.1; Is 2.3; Hb 10.25. 9. At 4.19, 20. ARTIGO 29 As marcas da verdadeira e da falsa igreja Cremos que devemos distinguir, pela Palavra de Deus, com diligência e muito cuidado, qual é a verdadeira igreja, pois todas seitas que há hoje no mundo arrogam para si o nome de igreja.1 Não falamos aqui dos hipócritas que se misturam aos fiéis da igreja, pois embora participem visivelmente da igreja não fazem parte dela.2 Mas falamos do corpo e da comunhão da verdadeira igreja que se deve distinguir daquelas seitas que se dizem igreja. A Igreja verdadeira é reconhecida pelas seguintes marcas: Ela pratica a pura pregação do evangelho;3 mantém a pura admi- nistração dos sacramentos segundo Cristo os instituiu;4 exercita a disciplina na igreja para a correção e punição dos pecados.5 Em síntese, governa a si mesma segundo a pura Palavra de Deus,6 rejeita tudo o que lhe for contrário7 e tem Jesus Cristo como úni- co cabeça.8 Assim se reconhece com certeza a verdadeira Igreja, e ninguém tem o direito de se separar dela. Os que pertencem à igreja devem ser reconhecidos pelas marcas dos cristãos: eles crêem em Jesus Cristo como o úni- co Salvador;9 fogem do pecado e buscam por justiça;10 amam o verdadeiro Deus e o seu próximo11 sem se desviar para a direita nem para a esquerda; e crucificam a carne com as obras delas.12 No entanto ainda permanece neles uma grande fraqueza à qual combatem, pelo Espírito, todos os dias das suas vidas.13 Apelam continuamente para o sangue, sofrimento, morte e obediência de Jesus Cristo no qual têm a remissão de seus pecados, por meio da fé nEle.14 A falsa igreja, contudo, atribui mais autoridade a si mes- ma e às suas ordenanças do que à Palavra de Deus; não quer se submeter ao jugo de Cristo;15 não administra os sacramentos conforme Cristo ordenou em Sua Palavra, mas acrescenta e sub- trai deles o tanto que lhe convém; baseia-se mais nos homens do que em Jesus Cristo; persegue aos que vivem de maneira santa, segundo a Palavra de Deus, e aos que lhe repreendem os seus pecados, cobiça e idolatrias.16 Pela distinção uma da outra, é fácil conhecer essas duas igrejas. 1. Ap 2.9. 2. Rm 9.6. 3. Gl 1.8; 1Tm 3.15. 4. At 19.3-5; 1Co 11.20-29. 5. Mt 18.15-17; 1Co 5.4, 5, 13; 2Ts 3.6, 14; Tt 3.10. 6. Jo 8.47; Jo 17.20; At 17.11; Ef 2.20; Cl 1.23; 1Tm 6.3. 7. 1Ts 5.21; lTm 6.20; Ap 2.6. 8. Jo 10.14; Ef 5.23; CL 1.18. 9. Jo 1.12; 1Jo 4.2. 10. Rm 6.2; Fp 3.12. 11. 1Jo 4.19-21. 12. Gl 5.24. 13. Rm 7.15; GL 5.17. 14. Rm 7.24, 25; 1Jo 1.7-9. 15. At 4.17, 18; 2Tm 4.3, 4; 2Jo .9. 16. Jo 16.2. ARTIGO 30 O governo da igreja Cremos que a verdadeira igreja deve ser governada confor- me a ordem espiritual que o nosso Senhor nos ensinou em Sua Palavra.1 Deve haver ministros ou pastores para pregarem a Pa- lavra de Deus e para administrarem os sacramentos;2 deve haver também presbíteros3 e diáconos4 para formarem com os pastores o conselho da igreja. Assim preservam eles a verdadeira religião e zelam para que a sã doutrina siga o seu curso, para que os maus sejam disciplinados de forma espiritual e sejam contidos e também para que os pobres e todos os aflitos sejam socorridos e consolados segundo as suas necessidades.6 Assim tudo será bem feito e com boa ordem quando tais homens fiéis são escolhidos7 segundo a regra que o apóstolo Paulo deu a Timóteo.8 1. At 20.28; Ef 4.11, 12; 1Tm 3.15; Hb 13.20, 21. 2. Lc 1.2; Lc 10.16; Jo 20.23; Rm 10.14; 1Co 4.1; 2Co 5.19, 20; 2Tm 4.2. 3. At 14.23; Tt 1.5. 4. 1Tm 3.8-10. 5. Fp 1.1; 1Tm 4.14. 6. At 6.1-4; Tt 1.7-9. 7. 1Co 4.2. 8. 1Tm 3. ARTIGO 31 Os oficiais da igreja Cremos que os ministros da Palavra de Deus, os presbíte- ros e os diáconos devem ser escolhidos para os seus ofícios me- diante eleição legítima pela igreja, com oração e em boa ordem, como estipula a Palavra de Deus.1 Por isso, cada um deve cuidar para não se intrometer no ofício de modo impróprio; pois deve esperar pelo momento quando ele seja chamado por Deus, para obter o testemunho da sua vocação, por ser certo e seguro que esta é do Senhor.2 Os ministros da Palavra têm igual poder e autoridade onde quer que estejam, pois todos eles são servos de Jesus Cristo,3 o único Bispo universal e o único Cabeça da igre- ja.4 E para que essa sagrada ordenança de Deus não seja violada nem desprezada, instamos a todos para que nutram especial es- tima pelos ministros da Palavra e presbíteros da igreja em razão da obra que realizam,5 e que estejam em paz com eles, o tanto quanto possível, sem murmurações ou contendas. 1. At 1.23, 24; At 6.2, 3. 2. At 13.2; 1Co 12.28; 1Tm 4.14; 1Tm 5.22; Hb 5.4. 3. 2Co 5.20; 1Pe 5.1-4. 4. Mt 23.8, 10; Ef 1.22; Ef 5.23. 5. 1Ts 5.12, 13; 1Tm 5.17; Hb 13.17. ARTIGO 32 A ordem e a disciplina da igreja Cremos que, embora seja util e bom que os governantes da Igreja entre se estabeleçam e conservem determinada ordem para manter o corpo da Igreja, no entanto devem se guardar de desviar-se daquilo que o nosso único Mestre, Cristo, nos orde- nou.1 Por isso rejeitamos a todas as invenções e leis humanas in- troduzidas no culto a Deus que, de qualquer modo, obriguem ou forcem as consciências.2 Só aceitamos aquilo que é apropriado para preservar e promover a harmonia e unidade e para manter tudo em obediência a Deus.3 Para este fim, disciplina e excomu- nhão devem ser exercidas de acordo com a Palavra de Deus.4 1. 1Tm 3.15. 2. Is 29.13; Mt 15.9; Gl 5.1. 3. 1Co 14.33. 4. Mt 16.19; Mt 18.15-18; Rm 16.17; 1Co 5; 1Tm 1.20. ARTIGO 33 Os sacramentos Cremos que o nosso Deus gracioso, atento à nossa insen- sibilidade e fraqueza, ordenou os sacramentos para selar em nós as Suas promessas, para servirem como penhor da Sua boa-von- tade e graça para conosco, e para alimentarem e sustentarem a nossa fé.1 Ele os acrescentou à Palavra do evangelho2 para apre- sentarem melhor diante dos nossos sentidos externos aquilo que Ele nos declara em Sua Palavra e o que faz interiormente em nossos corações; confirmando em nós, assim, a salvação que nos concede. Os sacramentos são os sinais e os selos visíveis de algo interior e invisível, por meio dos quais Deus opera em nós pelo poder do Espírito Santo.3 Por isso, esses sinais não são vãos nem vazios para nos enganar, porque Jesus Cristo é a verdade deles; sem Cristo, não seriam nada. Além disso, nos contentamos com o número dos sacra- mentos que Cristo, nosso Mestre, nos ordenou: sendo somente dois, a saber, o sacramento do batismo4 e da Santa Ceia de Jesus Cristo.5 1. Gn 17.9-14; Êx 12; Rm 4.11. 2. Mt 28.19; Ef 5.26. 3. Rm 2.28, 29; Cl 2.11, 12. 4. Mt 28.19. 5. Mt 26.26-28; 1Co 11.23-26. ARTIGO 34 O sacramento do batismo Cremos e confessamos que Jesus Cristo, que é o fim da lei (Rm 10.4), ao derramar o Seu sangue pôs fim a todo e qualquer outro derramamento de sangue que se poderia ou deveria fazer como expiação ou satisfação pelos pecados. Ele aboliu a circun- cisão, que envolvia sangue, e instituiu em lugar dela o sacramen- to do batismo.1 Pelo batismo somos recebidos na igreja de Deus e separados de todos as outras pessoas e falsas religiões, para estarmos totalmente comprometidos com Ele,2 de quem carregamos a marca e o emblema, que nos serve como testemunho de que Ele será eternamente o nosso Deus e Pai gracioso. Por isso, Ele ordenou que todos os Seus sejam batizados com água pura, “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito San- to” (Mt 28.19): dando-nos a entender com isso que assim como a água, derramada em nós, lava completamente a sujeira do corpo e assim como a água é vista no corpo do batizado quando derra- mada nele; o sangue de Cristo, pelo Espírito Santo, faz a mesma coisa no interior da alma.3 Ele lava e limpa as nossas almas do pecado4 e nos regenera de filhos da ira para filhos de Deus.5 Isso não é produzido pela água em si mesma6 mas pelo aspergir do precioso sangue do Filho de Deus,7 que é o nosso Mar Verme- lho,8 que precisamos atravessar para escapar da tirania de Faraó — do diabo — para entrarmos na Canaã espiritual. Assim os ministros, por sua parte, dão-nos o sacramento e aquilo que é visível, mas o nosso Senhor nos dá aquilo que o sacramento significa, quer dizer, os dons invisíveis e a graça. O Senhor lava, purifica e limpa as nossas almas de toda imundí- cie e iniqüidade,9 renova os nossos corações e os enche de toda consolação, dá-nos a verdadeira certeza da Sua bondade pater- nal, reveste-nos de nova natureza, e despe-nos da velha natureza com todas as suas obras.10 Cremos, contudo, que aquele que almeja à vida eterna deve ser batizado uma vez com um só batismo.11 O batismo nun- ca deve ser repetido, pois não podemos nascer duas vezes. Além disso, o batismo não nos beneficia apenas quando a água está em nós e quando o recebemos, mas por toda a nossa vida. Por essa causa rejeitamos o erro dos Anabatistas, que não se con- tentam com o batismo recebido uma única vez, e que também condenam o batismo dos filhos pequenos dos crentes. Cremos que essas crianças devem ser batizadas e seladas com o sinal da aliança, assim como os bebês em Israel eram circuncidados com base nas mesmas promessas que agora são feitas aos nossos filhos.12 De fato, Cristo derramou o Seu sangue para purificar os filhos dos crentes do mesmo modo que o derramou pelos adul- tos.13 Por isso, devem eles receber o sinal e o sacramento daquilo que Cristo fez por eles, assim como o Senhor ordenou na lei que fosse oferecido um cordeiro logo após o nascimento dos filhos,14 que era o sacramento da paixão e morte de Jesus Cristo. Como o batismo tem para os nossos filhos o mesmo significado que a circuncisão tinha para o povo de Israel, Paulo chama o batismo de “circuncisão de Cristo” (Cl 2.11). 1. Cl 2.11. 2. Êx 12.48; 1Pe 2.9. 3. Mt 3.11; 1Co 12.13. 4. At 22.16; Hb 9.14; 1Jo 1.7; Ap 1.5b. 5. Tt 3.5. 6. 1Pe 3.21. 7. Rm 6.3; 1Pe 1.2; 1Pe 2.24. 8. 1Co 10.1-4. 9. 1Co 6.11. Ef 5.26. 10. Rm 6.4; Gl 3.27. 11. Mt 28.19; Ef 4.5. 12. Gn 17. 10-12; Mt 19.14; At 2.39. 13. 1Co 7.14. 14. Lv 12.6. ARTIGO 35 O sacramento da ceia do Senhor Cremos e confessamos que o nosso Salvador Jesus Cristo instituiu o sacramento da Santa Ceia1 para nutrir e sustentar aos que Ele já regenerou e incorporou em Sua família, que é a Sua igreja. Aqueles que nasceram de novo possuem duas vidas dife- rentes.2 Uma delas é física e temporal, recebida no primeiro nas- cimento e é comum a todos os homens; a outra é espiritual e celestial e lhes foi dada no segundo nascimento como resultado da palavra do evangelho,3 na comunhão do corpo de Cristo. Essa vida não é comum a todos os homens, mas somente aos eleitos de Deus. Para a manutenção da vida física e terrena Deus estabeleceu o pão material e terreno. Esse pão é comum a todos, assim como também a vida é comum a todos. Para a manutenção da vida es- piritual e celestial, que os crentes possuem, Ele lhes enviou o pão vivo que desceu do céu (Jo 6.51) que é Jesus Cristo.4 Este nutre e sustenta a vida espiritual dos crentes5 quando é comido por eles, isso é, ao ser apropriado e recebido espiritualmente pela fé.6 Para nos figurar o pão espiritual e celestial, Cristo insti- tuiu para nós o pão visível e terreno como sacramento do Seu corpo e, o vinho como sacramento do Seu sangue.7 Ele nos tes- tifica que tão realmente que tomamos e seguramos em nossas mãos o sacramento, e o comemos e bebemos com as nossas bocas, sustentando assim a nossa vida física, assim também, com certeza recebemos pela fé8 — mão e boca da nossa alma — em nossas almas, para a sustentação da nossa vida espiritu- al, o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue de Cristo, nosso único salvador. Não há a menor dúvida de que Cristo não nos recomen- dou os Seus sacramentos em vão. Portanto Ele opera em nós tudo aquilo que para nós Ele representa nesses santos sinais. Não entendemos o modo como isso se realiza, exatamente como também não compreendemos as atividades ocultas do Espírito de Deus.9 Contudo, não nos enganamos ao dizermos que o que comemos e bebemos é o corpo verdadeiro e natural, e o sangue verdadeiro de Cristo. Todavia, não comemos com a boca, mas em espírito pela fé. Desse modo Jesus Cristo permanece sem- pre assentado à destra de Deus Seu Pai no céu,10 porém Ele não deixa de nos comunicar a Si mesmo pela fé. Esse banquete é uma mesa espiritual na qual Cristo nos torna participantes de Si mesmo, com todos os seus benefícios, e nos concede a graça de gozar dEle mesmo e dos méritos do Seu sofrimento e morte.11 Ele nutre, fortalece e consola as nossas almas pobres e desoladas pelo comer da Sua carne, e as refresca e renova pelo beber do Seu sangue. Embora os sacramentos estejam unidos com a realidade da qual são um sinal, nem todos recebem ambos.12 O ímpio cer- tamente toma os sacramentos para a condenação dele, mas não recebe a verdade do sacramento, assim como Judas e Simão o mago, receberam o sacramento sem, contudo, receberem a Cris- to, que é aquilo que o sacramento representa.13 Cristo é comuni- cado somente aos crentes.14 Finalmente, recebemos esse santo sacramento na congre- gação do povo de Deus15 com humildade e reverência, enquanto celebramos com ações de graça a lembrança sagrada da morte de Cristo, nosso Salvador, e confessamos a nossa fé e religião cristã.16 Por isso, ninguém pode vir a essa mesa sem cuidadoso auto-exame, para que, ao comer desse pão e beber desse cálice, não coma e beba juízo sobre si mesmo (1Co 10.28, 29). Em re- sumo, o uso desse santo sacramento nos leva a amar fervorosa- mente a nosso Deus e a nosso próximo. Por essa razão rejeitamos como profanação todos os acréscimos e invenções malditas que os homens acrescentaram e misturaram aos sacramentos. De- claramos que devemos estar contentados com a ordenação que Cristo e Seus apóstolos ensinaram e falar disso da mesma ma- neira que eles falaram. 1. Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19, 20; 1Co 11.23-26. 2. Jo 3.5, 6. 3. Jo 5.25. 4. Jo 6.48-51. 5. Jo 6.63; Jo 10.10b. 6. Jo 6.40, 47. 7. Jo 6.55; 1Co 10.16. 8. Ef 3.17. 9. Jo 3.8. 10. Mc 16.19; At 3.21. 11. Rm 8.32; 1Co 10.3, 4. 12. 1Co 2.14. 13. Lc 22.21, 22; At 8.13, 21. 14. Jo 3.36. 15. At 2.42; At 20.7. 16. At 2.46; 1Co 11.26.ARTIGO 36 O governo civil Cremos que o nosso Deus gracioso, por causa da depra- vação do gênero humano, estabeleceu reis, governos e oficiais civis.1 Ele quer que o mundo seja governado por leis e planos de governo,2 para restringir os excessos dos homens e para que tudo transcorra em boa ordem entre eles.3 Para isso colocou Ele a espada na mão das autoridades para castigar os malfeitores e proteger os que praticam o bem (Rm 13.4). Eles têm por ofício não apenas restringir e conservar a boa ordem pública, mas também a proteção da igreja e do seu ministério para que* o reino de Cristo possa vir, a Palavra do evangelho seja pregada em toda a parte4 e Deus seja honrado e servido por todos — como Ele determina em Sua Palavra. Além disso, cada um, independente da sua qualidade, con- dição ou classse é obrigado a submeter-se aos oficiais civis, pa- gar os impostos, respeitá-los e honrá-los, e obedecê-los em tudo aquilo que5 não contrarie a Palavra de Deus.6 Devemos orar por eles para que Deus os dirija em todos os seus caminhos e para que “para que vivamos vida tranqüila e mansa, com toda pieda- de e respeito” (1Tm 2.1, 2). Em razão disso reprovamos os Anabatistas e outros re- beldes, e em geral todos quantos se opõem às autoridades e aos oficiais civis, subvertem a justiça,7 introduzem a comunhão de bens, e perturbam a boa ordem que Deus estabeleceu entre os homens. * As palavras a seguir foram eliminadas nesse ponto, em 1905, pelo Sínodo Geral das Igrejas Reformadas da Holanda (Gereformeerde Kerken in Nederland): “toda idolatria e falso culto devem ser removidos e impedidos, e o reino do anticristo deve ser destruído”. 1. Pv 8.15; Dn 2.21; Jo 19.11; Rm 13.1. 2. Êx 18.20. 3. Dt 1.16; Dt 16.19; Jz 21.25; Sl 82; Jr 21.12; Jr 22.3; 1Pe 2.13, 14. 4. Sl 2; Rm 13.4a; 1Tm 2.1-4. 5. Mt 17.27; Mt 22.21; Rm 13.7; Tt 3.1; 1Pe 2.17. 6. At 4.19; At 5.29. 7. 2Pe 2.10; Jd .8. ARTIGO 37 O juízo final Por fim, cremos, conforme a Palavra de Deus, que ao chegar1 o tempo ordenado pelo Senhor — mas desconhecido por todas as criaturas — e se completar o número dos eleitos,2 o nosso Senhor Jesus Cristo voltará do céu de maneira visí- vel e corporal assim como Ele ascendeu (At 1.11), com grande glória e majestade.4 Ele instalará a si mesmo como o juiz dos vivos e dos mortos5 e porá este antigo mundo em chamas para o purificar.6 E então, todas as pessoas — homens, mulheres e crianças — que existiram no mundo, desde o seu princípio até o seu final, aparecerão pessoalmente diante deste Grande Juiz,7 intimados pela voz do arcanjo e pela trombeta de Deus (1Ts 4.16). Todos os que morreram antes deste dia ressurgirão da ter- ra,8 quando os seus espíritos se reunirem aos corpos com que vi- viam. Os que estiverem vivos não morrerão como os outros, mas serão transformados de corrupção em incorrupção num piscar de olhos.9 Então, se abrirão os livros e os mortos serão julgados (Ap 20.12) segundo o que fizeram, de bom ou de mal, neste mun- do (2Co 5.10).10 Na verdade, todos neste dia prestarão contas de toda palavra frívola que proferiram (Mt 12.36), as quais o mun- do considera apenas como zombaria e diversão. E os segredos e as hipocrisias dos homens serão revelados publicamente diante dos olhos de todos. Por isso, pensar neste juizo é coisa terrível e apavorante para os ímpios e mal-feitores,11 mas é grande gozo e conforto para o justo e eleito. Para eles completar-se-á a plena redenção e receberão os frutos de seus labores e das angústias que sofreram.12 A todos será manifesta a sua inocência e con- templarão a terrível vingança que Deus trará sobre os ímpios que os perseguiram, oprimiram e atormentaram neste mundo.13 Os ímpios serão condenados pelo testemunho das suas próprias consciências e tornar-se-ão imortais tão-somente para serem atormentados no “fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41),15 mas os fiéis e eleitos serão coroa- dos de glória e de honra. O Filho de Deus confessará os seus nomes diante de Deus Seu Pai (Mt 10.32) e dos anjos eleitos (Mt 10.32).16 Deus “lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21.4),17 e a causa deles — no presente, condenada como herética e maligna por tantos juizes e autoridades civis — será reconhe- cida como a causa do Filho de Deus. O Senhor, por graciosa recompensa, lhes fará possuir uma tal glória, que é impossível de ser concebida pelo coração do homem.18 Por isso ansiamos com grande expectativa por aquele grande dia para gozarmos da plenitude das promessas de Deus em Jesus Cristo nosso Senhor. Amém! Vem, Senhor Jesus! (Ap 22.10). 1. Mt 24.36; Mt 25.13; 1Ts 5.1, 2. 2. Hb 11. 39, 40; Ap 6.11. 3. Ap 1.7. 4. Mt 24.30; Mt 25.31. 5. Mt 25.31-46; 2Tm 4.1; 1Pe 4.5. 6. 2Pe 3.10-13. 7. Dt 7.9-11; Ap 20.12, 13. 45
CREDO NICENO
O Credo Niceno foi adotado pela Igreja de Cristo como resposta contra vários ensinos falsos, como os de Ário que negou a divindade de Jesus Cristo. A heresia dele foi condenada no Concílio de Nicéia no ano 325. A forma atual deste credo se desenvolveu alguns anos mais tarde. I. Cremos em um só Deus, Pai Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. II. Cremos em um só Senhor Jesus Cristo, o único Filho de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos, Deus de Deus, luz de luz, verdadeiro Deus de verdadeiro Deus; gerado, não criado, de igual substância do Pai; por Ele todas as coisas foram feitas. Por nós, homens, e por nossa salvação, Ele desceu do céu e se fez carne, pelo Espírito Santo, da virgem Maria, e se tornou homem. Também por nós, foi crucificado sob Pôncio Pilatos, padeceu e foi sepultado. Ressurgiu no terceiro dia, conforme as Escrituras. Subiu ao céu, está sentado à direita do Pai e de novo há de vir, com glória, para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. III. Cremos no Espírito Santo, Senhor e Vivificador, que procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; que falou através dos profetas. E numa só igreja, santa, universal e apostólica. Confessamos um só batismo para remissão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e a vida do século vindouro. Amém.
CREDO ATANASIANO
Atanásio foi um ministro fiel que tomou uma posição firme contra as heresias de Ário. Ele defendeu o ensino bíblico sobre a Trindade e sobre a encarnação de Cristo que ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Na sua forma atual o Credo Atanasiano data do século VI.
Qualquer um que quer ser salvo, antes de tudo deve seguir a fé universal: aquele que não a guardar integral e intata, sem dúvida perecerá eternamente. A fé universal é esta: que adoremos o único Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, não confundindo as Pessoas, nem separando o Ser. Pois, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo; mas o Pai e o Filho e o Espírito Santo possuem uma só divindade, igual glória e igual majestade eterna. Assim como é o Pai, assim é o Filho, assim é também o Espírito Santo. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo; eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; contudo, eles não são três eternos, mas um só eterno; como não são três incriados nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. igualmente o Pai é todo-poderoso, o Filho é todo-poderoso, o Espírito Santo é todo-poderoso; contudo eles não são três todo-poderosos, mas um só todo-poderoso. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; contudo eles não são três deuses, mas um só Deus. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; contudo eles não são três Senhores, mas um só Senhor. Pois assim como nós somos compelidos, pela verdade cristã, a confessar cada Pessoa singular como Deus e Senhor, assim nos é proibido, pela fé universal, falar de três deuses ou três Senhores. O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O Filho não foi feito, nem criado, mas gerado, somente pelo Pai. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado pelo Pai e Filho, mas está procedendo dEles. Então, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espírito Santos. E nesta Trindade não há nada anterior ou posterior, nem maior ou menor, mas todas estas três Pessoas têm a mesma eternidade e igualdade. Por isso, como já foi dito, seja venerada, em tudo, a Unidade na Trindade, assim como a Trindade na Unidade. Portanto, quem quer ser salvo, deve reconhecer assim a Trindade. Mas é necessário para a salvação eterna, crer também fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. Então, a verdadeira fé é que cremos e confessamos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é igualmente Deus e homem. Ele é Deus da substância do Pai, gerado antes de todos os tempos, e Ele é homem da substância da mãe, nascido no tempo; perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de alma racional e carne humana; igual ao Pai, visto a natureza divina; menor que o Pai, visto a natureza humana. Ele, mesmo sendo Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Ele é um, não por ser convertida a Divindade em carne, mas porque Deus assumiu a natureza humana; Ele é um, não por confusão da substância, mas pela unidade de uma Pessoa. Pois assim como a alma racional e a carne são uma Pessoa, assim Deus e homem são um só Cristo. Ele padeceu por nossa salvação, desceu ao reino dos mortos, ressurgiu dos mortos no terceiro dia, subiu ao céu, está sentado à direita de Deus Pai, Todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos: com a vinda dEle todas as pessoas vão ressurgir com seus corpos e dar contas de seus próprios atos; os que tiverem feito o bem, entrarão na vida eterna, os que tiverem feito o mal no fogo eterno. Esta é a fé universal: quem não crer nela fielmente e firmemente, não poderá ser salvo.
Qualquer um que quer ser salvo, antes de tudo deve seguir a fé universal: aquele que não a guardar integral e intata, sem dúvida perecerá eternamente. A fé universal é esta: que adoremos o único Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, não confundindo as Pessoas, nem separando o Ser. Pois, uma é a Pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo; mas o Pai e o Filho e o Espírito Santo possuem uma só divindade, igual glória e igual majestade eterna. Assim como é o Pai, assim é o Filho, assim é também o Espírito Santo. Incriado é o Pai, incriado o Filho, incriado o Espírito Santo; imenso é o Pai, imenso o Filho, imenso o Espírito Santo; eterno é o Pai, eterno o Filho, eterno o Espírito Santo; contudo, eles não são três eternos, mas um só eterno; como não são três incriados nem três imensos, mas um só incriado e um só imenso. igualmente o Pai é todo-poderoso, o Filho é todo-poderoso, o Espírito Santo é todo-poderoso; contudo eles não são três todo-poderosos, mas um só todo-poderoso. Assim o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; contudo eles não são três deuses, mas um só Deus. Assim o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; contudo eles não são três Senhores, mas um só Senhor. Pois assim como nós somos compelidos, pela verdade cristã, a confessar cada Pessoa singular como Deus e Senhor, assim nos é proibido, pela fé universal, falar de três deuses ou três Senhores. O Pai não foi feito por ninguém, nem criado, nem gerado. O Filho não foi feito, nem criado, mas gerado, somente pelo Pai. O Espírito Santo não foi feito, nem criado, nem gerado pelo Pai e Filho, mas está procedendo dEles. Então, um só Pai, não três Pais; um só Filho, não três Filhos; um só Espírito Santo, não três Espírito Santos. E nesta Trindade não há nada anterior ou posterior, nem maior ou menor, mas todas estas três Pessoas têm a mesma eternidade e igualdade. Por isso, como já foi dito, seja venerada, em tudo, a Unidade na Trindade, assim como a Trindade na Unidade. Portanto, quem quer ser salvo, deve reconhecer assim a Trindade. Mas é necessário para a salvação eterna, crer também fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo. Então, a verdadeira fé é que cremos e confessamos que nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é igualmente Deus e homem. Ele é Deus da substância do Pai, gerado antes de todos os tempos, e Ele é homem da substância da mãe, nascido no tempo; perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de alma racional e carne humana; igual ao Pai, visto a natureza divina; menor que o Pai, visto a natureza humana. Ele, mesmo sendo Deus e homem, não é dois mas um só Cristo. Ele é um, não por ser convertida a Divindade em carne, mas porque Deus assumiu a natureza humana; Ele é um, não por confusão da substância, mas pela unidade de uma Pessoa. Pois assim como a alma racional e a carne são uma Pessoa, assim Deus e homem são um só Cristo. Ele padeceu por nossa salvação, desceu ao reino dos mortos, ressurgiu dos mortos no terceiro dia, subiu ao céu, está sentado à direita de Deus Pai, Todo-poderoso, de onde há de vir a julgar os vivos e os mortos: com a vinda dEle todas as pessoas vão ressurgir com seus corpos e dar contas de seus próprios atos; os que tiverem feito o bem, entrarão na vida eterna, os que tiverem feito o mal no fogo eterno. Esta é a fé universal: quem não crer nela fielmente e firmemente, não poderá ser salvo.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
CAIO FÁBIO - PERDOEM-ME O DESGOSTO!.. ESTÁ INSUPORTÁVEL!
CAIO FÁBIO - PERDOEM-ME O DESGOSTO! ESTÁ INSUPORTÁVEL!
Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.
Sim, eu confesso…
Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.
É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!
É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!
É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!
É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!
É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!
É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!
É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!
É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!
É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!
É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!
É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!
É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…
É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!
É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!
É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!
É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!
É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!
É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!
É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!
De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.
Com tremor e temor porém certo da verdade de Jesus
Caio.
Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.
Sim, eu confesso…
Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.
É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!
É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!
É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!
É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!
É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!
É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!
É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!
É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!
É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!
É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!
É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!
É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…
É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!
É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!
É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!
É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!
É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!
É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!
É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!
De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.
Com tremor e temor porém certo da verdade de Jesus
Caio.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
domingo, 25 de setembro de 2011
LIDERAR
1 - EXEMPLO
2 - ELOGIO
3 - MOTIVAÇÃO
4 - ENSINO
5 - INVESTIMENTO
6 - CONFIANÇA
7 - ESPERANÇA
8 - PERSEVERANÇA
9 - PACIENCIA
10 - PERDÃO
11 - TRABALHO
12 - CRIATIVIDADE
13 - INICIATIVA
14 - DISPOSIÇÃO
15 - LEITURA
16 - DILIGÊNCIA
17 - QUALIDADE
18 - FÉ
19 - SUBMISSÃO
20 - SABEDORIA
2 - ELOGIO
3 - MOTIVAÇÃO
4 - ENSINO
5 - INVESTIMENTO
6 - CONFIANÇA
7 - ESPERANÇA
8 - PERSEVERANÇA
9 - PACIENCIA
10 - PERDÃO
11 - TRABALHO
12 - CRIATIVIDADE
13 - INICIATIVA
14 - DISPOSIÇÃO
15 - LEITURA
16 - DILIGÊNCIA
17 - QUALIDADE
18 - FÉ
19 - SUBMISSÃO
20 - SABEDORIA
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
MAÇONARIA
Maçonaria: Tensões e Perguntas
FONTE:http://www.monergismo.com/textos/seitas_heresias/maconaria_scott.htm
Por: J. Scott Horrell
A maçonaria constitui um enigma para o povo evangélico. Sendo a maior sociedade secreta do mundo, com cerca de seis milhões de membros atualmente, a maçonaria tem uma longa história entrelaçada com o protestantismo – especialmente na Grã-Bretanha, na Europa, nos Estados Unidos (com 4 milhões de membros) e no Brasil [1]. Ao mesmo tempo, a fraternidade orgulha-se de contar com membros das elites do mundo, seja no passado [2] ou no presente: desde Voltaire, Mozart, Garibaldi e Goethe, até vários nobres da Europa - incluindo o rei da Suécia e a Rainha Elizabete II (Grande Patronesa da Loja Britânica) - além de catorze presidentes dos Estados Unidos (Johnson, Ford, Reagan etc.). George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, era um Grão-Mestre maçom, sendo considerado um dos adeptos mais fiéis de todas as treze colônias de sua época. Não é por acaso que a cédula do dólar americano, que tem o retrato de Washington, traz a pirâmide, o esquadro, a águia e outros símbolos maçônicos junto com as palavras NOVUS ORDO SECLORUM (sic., “nova ordem dos séculos”) [3]. O fato de que milhares de pastores e leigos evangélicos ao redor do mundo fazem parte das lojas maçônicas, e de que projetos filantrópicos de grande porte são administrados por eles [4] sugere que essa sociedade só oferece o bem, e até promulga valores e ensinos cristãos.
Por outro lado, conforme alguns estudiosos sustentam, a maçonaria, apesar de se autodenominar não-religiosa, divulga uma filosofia essencialmente anti-cristã. Subjacente à irmandade e aos esforços de caridade, existe um programa não manifesto advogando uma religião sincretista, negando a pessoa divina e a obra salvífica de Jesus Cristo, e mantendo elos sinistros com o ocultismo. A maçonaria foi rejeitada como antitética à fé cristã pelos católicos romanos [5] e pelas Igrejas Ortodoxas Oriental e Russa [6]. Mais recentemente, várias denominações protestantes estão reavaliando o envolvimento de seus membros na sociedade maçônica, chegando a conclusões surpreendentes:
A nosso ver, a obediência total a Cristo impede a adesão a qualquer organização, tal como o movimento maçônico, que parece requerer uma fidelidade integral a si mesma... Exige-se do iniciado que ele se entregue à maçonaria assim como o cristão deve entregar-se somente a Cristo. (A Igreja da Escócia, 1965) [7]
[Este] relatório indica várias razões fundamentais para se questionar a compatibilidade da maçonaria com o cristianismo. (A Igreja da Inglaterra, 1985) [8]
Mesmo na interpretação mais generosa das evidências, permanecem sérias questões para os cristãos acerca da maçonaria... Existe um grande perigo de o cristão que se torna maçom acabar comprometendo sua fé cristã ou sua fidelidade a Cristo, talvez sem perceber o que está fazendo. Conseqüentemente, nossa orientação ao povo metodista é que os metodistas não devem se tornar maçons. (A Igreja Metodista Britânica, 1985) [9]
Sentimos que existe um grande perigo de que o cristão maçom acabe comprometendo sua fidelidade a Jesus, talvez sem perceber o que está fazendo... a conclusão evidente a que chegamos em nossa pesquisa é que há uma incompatibilidade inerente entre a maçonaria e a fé cristã. (As Uniões Batistas da Escócia, Grã-Bretanha e Irlanda, 1987) [10]
Enquanto várias denominações da América do Norte já renunciaram a maçonaria [11] a maior igreja evangélica dos Estados Unidos, a Convenção Batista do Sul - que possui um alto índice de membros maçônicos – está em processo de pesquisa sobre essa questão, e sabe-se que teme que os resultados possam dividir a denominação. Fundadas ou não, tais preocupações das denominações tradicionais devem alertar o cristão, inclusive o cristão maçom, para o fato de que talvez existam elementos básicos da loja maçônica que são questionáveis. A maçonaria, portanto, levanta tensões e perguntas que nem sempre se resolvem facilmente.
No Congresso Maçônico Internacional de 1899, afirmou-se que a fraternidade assumiu o lugar central em todos os movimentos revolucionários do mundo no século XIX [12], inclusive no Brasil. Na maior parte da América Latina, conforme se vê nas histórias de Simon Bolívar, Carlos Alvear, San Martin e Francisco Miranda, a maçonaria e as sociedades semi-maçônicas forneciam as estruturas clandestinas para planejar e financiar as lutas revolucionárias pela independência.[13] Na história brasileira, apesar de ambigüidades sobre quando a verdadeira maçonaria começou, por volta de 1800 havia várias organizações com inspiração maçônica - como as Inconfidências Mineira, Carioca e Baiana - as quais contribuíram grandemente para a autonomia nacional. Mais tarde, com o domínio da maçonaria inglesa (ou Maçonaria Azul, advogando o monarquismo parlamentar) sobre a francesa (ou Maçonaria Vermelha, defendendo a democracia),[14] o próprio Imperador D. Pedro I foi iniciado e, logo, proclamado o Grão-Mestre da loja Grande Oriente do Brasil, em 1822. [15] Conforme o historiador maçônico Manoel Gomes (33°), tanto a libertação do Brasil do domínio português quanto a passagem da monarquia para a república “foram movimentos idealizados, preparados e tornados realidade” pelas lojas da maçonaria.[16] Entre seus membros ilustres, ele inclui Tiradentes, Castro Alves, Rui Barbosa, Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Peixoto, Duque de Caxias, Campos Sales e Padre Diogo Feijó. É interessante notar que, apesar da proibição papal, vários padres, bispos e cônegos faziam parte da maçonaria brasileira antiga, aparentemente como veículo de suas convicções políticas.[17]
O elo evangélico aparece mais tarde. Com sua filosofia de religião aberta (sendo, conforme certos estudiosos, anti-católica), a maçonaria brasileira facilitou, em alguns casos, a entrada de missionários evangélicos no país. Às vezes, a loja maçônica até os protegia da oposição da Igreja Católica.[18] Outras vezes, pelo menos no nível individual, a fraternidade maçônica ajudou a financiar a construção dos templos evangélicos. Por estas e outras razões, a maçonaria goza de alta aceitação em meio a certas denominações protestantes do Brasil, contando até com defensores entre os pastores nacionais.[19] O testemunho sincero do Pr. José Motta reflete uma experiência que não é incomum. Sendo convidado para requerer seu ingresso na maçonaria, o jovem pastor batista foi visitado por um respeitado advogado cristão:
... ele foi me dizendo que também era maçom e que muito se orgulhava de sê-Ia, pois não via inconveniência para nós, crentes em Jesus; pelo contrário, as coisas se tornam mais fáceis para a penetração na sociedade como maçons e a nossa influência como crentes se torna mais acentuada e respeitada... [No dia em que o PI. Motta, com 23 anos, declarou que queria entrar para a maçonaria:] Vi-me cercado por homens da alta sociedade, dentre eles médicos, generais de Exército, aposentados, professores, advogados e outros... Foram momentos agradáveis.
... Agora eu sou maçom. Inicia-se, assim, uma nova etapa na minha vida. Dediquei-me aos trabalhos. Fazia algumas palestras e nessas fazia menção da Bíblia... Louvado seja Deus! A nossa casa era o centro dos encontros. Visitas não faltavam. Famílias e maçons e outros amigos, inclusive de freiras, eram as constantes visitas. Na Loja, pela dedicação na área de assistência social e na educação de adultos, fui galgando os degraus... Sentia-me útil e sabia que, em tudo isso, Deus estava me projetando para o futuro, preparando-me para a Sua Obra.[20]
Tipicamente, os argumentos de maçons evangélicos são que a maçonaria: (1) é uma fraternidade benemérita e não-religiosa; (2) gera respeito para a presença evangélica entre pessoas de alto gabarito; e (3) abre caminho para servir a Deus na sociedade em geral.
Nem todos os evangélicos no Brasil manifestam o mesmo entusiasmo. Algumas denominações são explícita ou implicitamente anti-maçônicas. Em 1903, a Igreja Presbiteriana Independente formou-se sob a liderança de Eduardo Carlos Pereira, separando-se da Igreja Presbiteriana Sinodal (Presbiteriana do Brasil) principalmente devido à questão da loja. A Igreja Luterana Concórdia também se destaca por ser contra a maçonaria. De modo menos agressivo, a Igreja Batista Pioneira continua distinguindo-se' dentro da Convenção Batista Brasileira, em parte devido a essa causa. Com poucas exceções, as denominações teologicamente mais conservadoras fundamentalistas, holiness (Metodista Livre e Wesleyana) e pentecostais (Assembléia de Deus; Igreja Quadrangular, com exceções) - posicionam-se contra a maçonaria, enquanto as igreja evangélicas tradicionais permitem que seus membros afiliem-se às lojas.[21]
Hoje, apesar de ter uma história marcada pela fragmentação, o conjunto das ordens maçônicas do Brasil é uma das grandes potências mundiais da sociedade, consistindo na maior dos países latinos (europeus e americanos), com cerca de 150.000 membros.[22] O novo Palácio Maçônico de Brasília do Grande Oriente do Brasil - a ordem maçônica mais numerosa do país, possuindo por volta de 100.000 membros - foi inaugurado em dezembro de 1992. A cerimônia foi assistida por um grupo de maçons que incluía 120 parlamentares federais e Maurício Corrêa (Ministro da Justiça), o qual, por sua vez, representou o Presidente da República Itamar Franco (Fernando Collor também é maçom).[23] No ano 2000, a Conferência Internacional dos Grandes Soberanos Comendadores acontecerá no Brasil e, conforme a entrevista de Ano Zero com Venâncio Igrejas, o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, “muitos acreditam que o Brasil será um dos países que sediará o advento de uma nova Consciência no século XXI”.[24] Através das Ordens DeMolay e Arco-Íris, dedicadas aos jovens, a influência da maçonaria no Brasil, ao contrário de em outras partes do mundo, parece cada vez mais forte.
Certamente, a presença maçônica está deixando sua marca nas igrejas evangélicas do país. O poder dos maçons na organização de certas denominações é tão marcante que, às vezes, na expressão frustrada de um líder nacional, “parece que há uma hierarquia [maçônica] por trás da hierarquia [denominacional]”. Fundados ou não, existem boatos entre jovens pastores de que, sem ser maçom, não se consegue subir nas estruturas eclesiásticas. Portanto, a questão da maçonaria na igreja evangélica é importante e urgente, acarretando conseqüências para o futuro que nem todos querem reconhecer - posicionando-se seja a favor ou contra.
Esta prolongada introdução leva-nos ao propósito do artigo: analisar a compatibilidade entre a filosofia maçônica e as afirmações centrais da fé evangélica. Não procuraremos julgar a irmandade maçônica em si, nem negar que há indivíduos nas lojas os quais desconhecem ou discordam dos ensinos em geral proferidos dentro das ordens. Responderemos às seguintes perguntas:
1. É possível ter um conhecimento definido sobre a filosofia maçônica?
2. A maçonaria é uma religião?
3. Qual é o lugar que a Bíblia ocupa?
4. Quem é o Deus da maçonaria?
5. Qual é o lugar de Jesus Cristo?
6. Como alguém é salvo?
7. Existem vínculos entre a maçonaria e as religiões ocultas? Na conclusão, faremos observações sobre o relacionamento entre o evangelismo e a maçonaria no Brasil.
1. É Possível Ter um Conhecimento Definido Sobre a Filosofia Maçônica?
Basicamente, os maçons apresentam três alegações defendendo sua posição de que o não-maçom não sabe seus ensinos. Em primeiro lugar, como a confraria é uma sociedade secreta histórica e geograficamente variada em suas formas, o não-maçom simplesmente não tem acesso ao conhecimento claro de seus rituais, símbolos e ensinos. Em segundo lugar, existe uma grande quantidade de livros que se projetam como representantes da verdadeira maçonaria, quando, de fato, em geral não são aceitos pelas lojas, ofuscando assim qualquer imagem distinta pelo público. Finalmente, de acordo com o escritor maçom Alphonse Cerza, não existe uma autoridade final na maçonaria: “Os anti-maçons têm dificuldades em entender que a maçonaria não possui uma 'voz oficial', e que a liberdade de pensamento e expressão é um dos princípios essenciais da Ordem”. [25]
Admitindo que a maçonaria não exalta um livro ou líder como autoridade absoluta e universal, ainda assim ninguém negaria que as ordens e lojas reconhecem autoridades - o que é comprovado pelo fato de que 90% da maçonaria mundial pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito, com seus Supremos Conselhos do 33° Grau. Na verdade, existem várias autoridades: (1) os Landmarks (25 fundamentos absolutos);[26] (2) a Constituição e os regulamentos gerais das ordens, determinados pelos Supremos Conselhos; (3) o Ritual em si - especialmente o da Loja Azul (os três passos básicos de todos os Mestres-Maçons de qualquer rito ou ordem);[27] (4) o Supremo Grande Comendador da Ordem e o Grão-Mestre da loja; e (5) um fato patentemente comprovado mediante extensas pesquisas, há livros reconhecidos e usados no mundo inteiro. Por ordem de preferência nos Estados Unidos, as três obras mais empregadas são: Coil's Masonic Encyclopedia (Enciclopédia Maçônica de Coil”); The Builders (“Os Construtores”), de Joseph Fort Newton; e Mackey's Revised Encyclopedia of Freemasonry (“Enciclopédia Revisada de Maçonaria de Mackey”).[28]
No Brasil, é surpreendente o número de bibliotecas e livrarias (de volumes novos e usados) - especialmente espíritas - que estão repletas de literatura maçônica, incluindo as obras "secretas" da Editora Maçônica. Encontram-se acessíveis ao pesquisador não-maçom dezenas de livros escritos por autoridades maçônicas brasileiras, tais como Jorge Adoum (o Mago Jefa), Nicola Aslan (33°), Joaquim Gervásio de Figueiredo (33°), Manoel Gomes (33°), Rizzardo da Camino (33°) e Zilmar de Paula Barros (33°) - além de muitos outros autores traduzidos em língua portuguesa.[29] Embora os maçons neguem a autoridade absoluta de qualquer um desses indivíduos, não se pode deixar de admitir que a maior parte de seus escritos é representativa da prática e do ensino da maçonaria brasileira (reconhecendo algumas diferenças entre as ordens). Com os documentários e as obras públicas sobre a sociedade, além dos vários livros evangélicos de ex-líderes maçônicos que asseveram expor os segredos da sociedade, existem boas bases para a pesquisa.[30] Tudo isso refuta o argumento de que somente os maçons possuem acesso à sua filosofia.
2. A Maçonaria É uma Religião?
Uma das imagens mais divulgadas pela Loja é a de que a maçonaria não possui dogmas ou credos, sendo que apóia toda religião civil e deixa o indivíduo maçom livre para ter suas próprias convicções de fé. Nas palavras de Venâncio Igrejas, a voz mais autorizada do Brasil: “Nos templos não discutimos política e religião”.[31] A Ordem rejeita categoricamente o ateísmo e diz que apóia a religião da cultura dentro da qual funciona, pretendendo apenas o melhoramento do caráter e da moral de seus membros. Sobre essa diversidade religiosa, Nicola Aslan (33°), em seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, comenta:
A respeito da religião da Maçonaria, as opiniões são muito divididas entre os Maçons e elas dependem, em grande parte, das tendências religiosas e filosóficas que norteiam as obediências e os ritos maçônicos.
Assim, a Maçonaria anglo-saxônica, em grande parte protestante, é considerada profundamente religiosa e teísta, como o Rito de York... Julga-se geralmente a Maçonaria francesa como racionalista, porque, através do Rito Moderno, permite a iniciação a pessoas sem crença definida, considerando que as opiniões religiosas são questões de foro íntimo, enquanto o Rito Escocês Antigo e Aceito, embora exija a crença em Deus do candidato, é denominado deísta...32
Aslan está parcialmente correto. A religiosidade da loja local depende de vários fatores. Muitas vezes, especialmente nos graus mais baixos, a religião aparece apenas como um elemento periférico da função da loja. Outras vezes, a ênfase teológica (implícita ou explícita) pode variar desde o panteísmo e o ocultismo até um teísmo ecumênico e semi-cristão - por exemplo, no sul dos Estados Unidos. Com certa freqüência, os anti-maçons ignoram a diversidade dos ritos e formas práticas das lojas nesse sentido.
Por outro lado, a palavra religião tem uma definição geral que os defensores da maçonaria não podem ignorar. Na obra The Encyclopedia of Philosophy (“Enciclopédia de Filosofia”), encontramos a descrição de nove marcas da religião: (1) a crença num ser ou seres sobrenaturais; (2) a distinção entre objetos sagrados e profanos; (3) atos rituais orientados para esses objetos; (4) um código moral com sanção divina; (5) sentimentos religiosos despertados por objetos ou rituais sagrados e relacionados, em teoria, com um deus ou deuses; (6) a oração; (7) uma cosmovisão que engloba o lugar do indivíduo no mundo; (8) a organização da vida ao redor dessa cosmovisão; (9) um grupo social que é unificado pelas características acima.[33] Conforme Ankerberg e Weldon claramente documentam, a maçonaria caracteriza-se por cada uma dessas qualificações.[34] Por isso, a grande maioria dos líderes admite que a maçonaria é, na verdade, uma religião:
A maçonaria pode afirmar corretamente chamar-se uma instituição religiosa... Veja seus antigos landmarks, suas cerimônias sublimes, seus profundos símbolos e alegorias - todos inculcando uma doutrina religiosa, ordenando uma observância religiosa e a verdade religiosa, e quem pode negar que ela é eminentemente uma instituição religiosa?.. Abrimos e fechamos nossas lojas com uma oração; invocamos a bênção do Altíssimo sobre todos nossos trabalhos; exigimos de nossos neófitos uma profissão de fé confiante na existência e no cuidado providencial de Deus. (Mackey) [35]
Rizzardo da Camino, no Dicionário Maçônico, declara abertamente: “A Maçonaria é uma Religião, no sentido estrito do vocábulo, isto é, na 'Harmonização' da criatura ao Criador. É a Religião [sic.] Maior e Universal”.[36] Joaquim Gervásio de Figueiredo, no Dicionário de Maçonaria, define a irmandade da seguinte maneira:
Maçonaria: “É um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo, visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e outro aspecto interno, mental e espiritual, oculto sob as cerimônias, doutrinas e símbolos, e acessível só ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo”. [37]
Existem dezenas de declarações paralelas.[38] Conquanto haja divergências (uma face pública, outra interna), grande parte da literatura maçônica sem dúvida no Brasil - sustenta abertamente a natureza religiosa da fraternidade. No Brasil, o fato de se descobrirem, em livrarias e bibliotecas, obras sobre a maçonaria junto com livros acerca de esoterismo, ocultismo e religião comprova o consenso público nessa questão. De fato, em quase todos seus escritos, a maçonaria apresenta-se como a essência da religião.[39]
3. Qual é o Lugar Que a Bíblia Ocupa na Maçonaria?
Às vezes, os cristãos maçons destacam que a maçonaria especulativa foi iniciada por dois pastores e, assim, é essencialmente cristã em seus fundamentos. Pelo menos, não contradiz nada do que o cristianismo promulga. Na revista maçônica New Age, Winston Watts (32°) expõe a procura da verdade, afirmando que, "na maior parte, nossa busca está centrada na Bíblia Sagrada, a fonte principal de nosso conhecimento".[40] Em virtualmente todos os dicionários maçônicos, a Bíblia - "o Livro da Lei"é exaltada como "um dos grandes Luzeiros da Maçonaria",[41] um elemento importantíssimo dos móveis da loja ocidental, sobre o qual todo cristão iniciado faz seu juramento. Em parte, é com base em certas figuras bíblicas - por exemplo, São João Batista, São João Evangelista, João Marcos e o artífice Hirãm-Abitt (ou Hirão Abi, 1 Rs 7.13-14; 2 Cr 2.13-14) - que a maçonaria desenvolveu suas mitologias e rituais.
Em toda a literatura maçônica (Ritos York e Escocês), entretanto, dificilmente se descobre qualquer afirmação acerca da única inspiração verbal ou da autoridade soberana das Escrituras. Sem exceção, os autores fazem questão de insistir que a Bíblia é apenas um livro sagrado, usado como metáfora da vontade divina e da lei natural. Na Coils Masonic Encyclopedia, a obra mais autorizada nos Estados Unidos, lemos: “A opinião maçônica prevalecente é de que a Bíblia constitui apenas um símbolo da vontade, lei ou revelação divina, e não que seu conteúdo é lei divina, inspirada ou revelada”.[42]
Naturalmente, sendo um símbolo, a Bíblia precisa de interpretação. Zilmar de Paula Barros, em A Maçonaria e O Livro Sagrado, declara que, “com a morte física de Jesus, perdeu-se a PALAVRA. E, entre as múltiplas finalidades. da Maçonaria, está buscar a 'palavra perdida...', ou seja TRAZER A HUMANIDADE A VERDADEIRA INTERPRETAÇAO DA MENSAGEM EVANGÉLICA DE JESUS![43] Martin Wagner, um perito em maçonaria, observa o seguinte: "Todos os maçons eminentes afirmam que existe um véu sobre as Escrituras, o qual, quando removido, as torna claramente concordes com os ensinamentos maçônicos, e em harmonia essencial com outros livros [sagrados]”.[44] Logo, a filosofia maçônica constitui o par de óculos através do qual tudo é filtrado.
Apesar da ênfase na Bíblia Sagrada, os livros esotéricos freqüentemente recebem mais atenção. Em suas instruções sobre os três primeiros graus (Loja Azul) no Brasil, Nicola Aslan explica:
A Bíblia e a Cabala fornecem o mais poderoso contingente para o enriquecimento do simbolismo maçônico, e o Ocultismo, abrangendo o conjunto dos sistemas filosóficos e das artes misteriosas derivadas dos conhecimentos dos antigos, deu também abundante contribuição.[45]
Quase sempre, a verdadeira sabedoria (antiga) é descoberta no misterioso e oculto, seguindo o gnosis, a iluminação, a numerologia e, especialmente, a cabala (misticismo judaico).[46] Diante da mistura de religiões sincretistas que predominam na literatura maçônica, a Bíblia fica subjugada a interpretações diversas por meios místicos e alegóricos. Por outro lado, ninguém defende uma interpretação objetiva e histórico-gramatical. A Bíblia é aproveitada por sua ética e como símbolo divino, sem encorajar qualquer interpretação doutrinária de seu conteúdo. De fato, muitas seitas consideradas heréticas são mais fiéis ao significado do texto bíblico do que os escritos maçônicos.
4. Quem É o Deus da Maçonaria?
O Deus maçônico é denominado o Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.) - o Ser Supremo, Criador ou Força Cósmica da existência e preservação. O Landmark 19 proclama: “A negação da crença do G.A.D.U. é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação”.[47] Propositadamente, a definição é ambígua o bastante para englobar todos os conceitos de Deus sustentados pelas religiões - não apenas as teístas (judaica, cristã e islâmica), mas também as dualistas (taoísta, zoroastriana) e as panteístas (gnóstica, espírita, hindu e budista). Sem dúvida, no início da história da maçonaria especulativa, as pressuposições eram mais teístas, como continuam sendo para os cristãos que se envolvem na loja. Ironicamente, foram os reverendos anglicanos James Anderson e John Desagulliers, elaboradores da primeira Constituições (1723), que abriram a maçonaria para todas as crenças e descristianizaram a linguagem maçônica, procurando uma estrutura teológica mais universal.[48] Entretanto, a nível popular, dentro das culturas “cristãs” - cada vez menos, porém - o Grande Arquiteto do Universo continua a ser cultuado como um Ser soberano, inteligente, moral e, em certo sentido, pessoal. Assim como o antigo liberalismo do século passado, a maçonaria proclama “a paternidade do Pai e a fraternidade ao homem”. Semelhantemente, também, a essência da religião define-se mais pela ética do que por qualquer crença em afirmações doutrinárias.[49] Logicamente, tais afirmações já pressupõem uma cosmovisão e uma teologia geral que se encontram expressas em muitos escritos, como no Dicionário de Gervásio de Figueiredo:
Não obstante a imensa diversidade de seus cultos externos, todas as religiões apresentam uma base comum em seus internos princípios morais, filosóficos e místicos. Com efeito, o estudo comparativo das religiões demonstra serem idênticos os seus ensinamentos fundamentais sobre a Divindade, o homem, o universo, a vida futura, porém adaptados à época e ao povo a que se destinaram... Seus imortais fundadores foram todos Mensageiros da Verdade única, que deram à humanidade seu evangelho de União e Fraternidade, para que através do Amor as almas se religuem entre si e ao Supremo. Todos eles foram unânimes em proclamar a Paternidade de Deus e a Fraternidade dos homens. Tal foi, em essência, a mensagem de Vyâsa, Hermes, Trismegisto, Zarathustra, Orfeu, Krishna, Moisés, Pitágoras, Platão, Cristo, Maomet e outros. [50]
O conceito de Deus nos escritos da maçonaria é uma mistura de tudo, de gnosticismo, druidismo, luciferianismo, hinduísmo, taoísmo, zoroastrismo, iluminismo, cristianismo liberal e Nova Era. Mackey declara: “A religião da maçonaria é cosmopolita, universal... 'Esteja certo', diz Godfrey Higgins, 'de que Deus está igualmente presente com o piedoso hindu no templo, o judeu na sinagoga, o muçulmano na mesquita e o cristão na igreja'”.[51] Contudo, por trás do pluralismo, existe uma crença fundamental, articulada por Aslan:
...é absolutamente necessário fazer abstração de todo fanatismo como de todo preconceito religioso ou anti-religioso, posto que estas veneráveis tradições são os “ecos” dos velhos dados da antiga ciência dos Iniciadores, tão intimamente ligada, então, às Religiões que é quase impossível separá-las de sua Mãe.[52]
Ou seja, todas as religiões são representações das antigas e primitivas verdades, destiladas no ensino da maçonaria, que é, em última instância, a Mãe de todas as religiões. Deus, o G.A.D.U., é o Deus buscado e manifestado por todas as religiões. Infelizmente, tal representação - popular no romantismo otimista dos séculos XVIII e XIX - ignora um fato muito patente: seu conceito de Deus determina sua ética. É impossível unificar as definições mais variadas de Deus em torno de uma ética fraternalista: o pacifismo social do hindu, a ética vindicativa do muçulmano e o amor autosacrificial ativo do cristão encontram-se diretamente relacionados com contraditórios conceitos de Deus.
Talvez uma das acusações mais fortes contra a loja seja a seguinte: no grau do Real Arco do Rito de York, quando o maçom supostamente encontra a Arca da Aliança perdida nas ruínas do templo salomônico, descobre-se o verdadeiro nome de Deus como sendo JABULOM. Tal nome, segundo o próprio H. W. Coil, é uma associação de lahweh (o Jeová do Antigo Testamento), Ba'al ou Bel (o deus cananita) e Om (Osiris, o deus-sol do Egito)[53] - o que um autor chama de “Não-Santíssima Trindade”.[54] Outros observam que, no Rito Escocês, no 17° Grau dos Conselhos de Cavaleiros do Oriente e Ocidente, há também a “palavra sagrada” Abadom; este nome divino na maçonaria é o nome do rei ( ou anjo) do abismo, em Apocalipse 9.11.[55]
Embora a maçonaria encoraje um pluralismo da conceituação de Deus, conforme vários autores afirmam, há cada vez menos lugar para o Deus tripessoal da Bíblia. A idéia do Logos e da Trindade é vista de uma forma gnóstica e alegórica, distante da Confissão de Nicéia, como vemos na exposição do 4º Grau por Jorge Adoum [56]. Embora nem todos o façam, alguns eruditos maçônicos, tais como Albert Pike [57], presunçosamente atacam o cristianismo clássico com os argumentos comuns do século XIX, alegando um politeísmo que formou o judaísmo antigo, a base pagã do trinitarismo, e pregando um deísmo otimista característico daquela época. Num novo documentário, Robert A. Morey, um autor bastante objetivo, declara o seguinte:
Centenas de livros maçônicos que atacam o cristianismo e ensinam abertamente o paganismo são publicados, apoiados e recomendados por altos oficiais, lojas estaduais e conselhos supremos. É-nos dito que isso é adequado, porque a Ordem deve ser universal em seu apelo, e cada maçom pode interpretar a palavra “Deus” e os símbolos da confraria da maneira como quiser.
Entretanto, quando um cristão maçom procura oferecer uma interpretação cristã dos rituais e símbolos da confraria, ele é proibido de assim o fazer!... Para cada escritor maçom que diz que a maçonaria não é uma religião, há cinco escritores maçons afirmando que é uma religião pagã... todos eles concordam que o cristianismo está errado e que seus ensinamentos não devem ser permitidos na loja...
Se a maçonaria continuar na direção em que parece estar indo, então os cristãos maçons devem abandonar a Ordem, porque ela vem se tornando uma religião pagã, ocultista, hostil ao cristianismo.[58]
Concluímos que, embora alguns indivíduos e até certas lojas locais sustentem uma definição da divindade mais próxima do cristianismo histórico, a grande maioria ignora ou rejeita a perspectiva bíblica de Deus. Dificilmente se pode negar que, nas águas turvas do ritual e do símbolo maçônicos, há implicações sinistras sobre o entendimento de Deus para o cristão verdadeiro.
5. Qual É o Lugar de Jesus Cristo?
Diante de um conceito ambíguo e unitariano de Deus, seria correto esperar pouco sobre o Redentor. Ao buscarmos informações acerca de Jesus Cristo nos dicionários e enciclopédias maçônicos - Coil, Mackey, Macoy, Gervásio de Figueiredo, Rizzardo da Camino, Aslan - descobrimos uma ausência quase total de dados a esse respeito. Quando se procuram referências sobre Jesus Cristo, a cruz ou outros ensinos especificamente cristãos nas próprias citações bíblicas dos rituais e cerimônias maçônicos, percebe-se logo que todas foram omitidas - tiradas do meio dos trechos (e. g. At 4.11; 2 Ts 3.6, 12; 1 Pe 2.4-8, onde a pedra angular é o verdadeiro maçom).[59] Embora as reuniões maçônicas incluam a oração, é absolutamente proibido orar no nome de Jesus. Eles até mesmo modificaram o calendário baseado no advento de Cristo, aceito no mundo inteiro, para um sistema irreligioso: “Os maçons, ao fixar datas em seus documentos oficiais”, diz Mackey, “nunca fazem uso da época comum ou era vulgar, mas têm uma que lhes é peculiar...”[60] Paradoxalmente, em alguns casos, os mesmos dicionários que omitem Jesus Cristo contêm artigos substanciais sobre dezenas de outros religiosos antigos e modernos - Jonas, Ezequiel, Orfeu, Pitágoras, Zoroastro, Emmanuel Swedenborg, Annie Besant, Helena Blavatsky etc. Isso sugere, no mínimo, a irrelevância de Jesus Cristo na filosofia maçônica.
Em alguns 'aspectos, a maçonaria evidencia implicações ainda mais preocupantes: por um lado, a divindade de Cristo é negada e, por outro, a divinização do homem é afirmada. Rizzardo da Camino define Cristo da seguinte maneira: “É a denominação de um 'estado de alma' que se encontra na parte espiritual do ser humano. Jesus atingiu esse 'grau' na Cruz e por isso foi denominado de Jesus o Cristo. É erro dizer-se 'Jesus'... Cada cristão pode ter em si o Cristo...”[61] Se as evidências acima forem conclusivas de que Deus normalmente é conceituado em categorias deístas, ocultas e panteístas, então é impossível que Jesus Cristo seja o Filho unigênito de Deus. Ele se torna apenas “um grande mestre de moralidade” ou protótipo de divinização - algo corroborado por vários dos principais autores maçons.[62] Entretanto, apesar das múltiplas negações da divindade de Jesus Cristo, os cristãos maçons ressalvam que tais não passam de diferenças de convicções religiosas, todas permitidas sob o teto maçônico; assim, uma posição é igual à outra.
Uma história recente toca nesse ponto. O Venerável Mestre James Shaw (33°) era um orador experiente da cerimônia do Cavaleiro Rosa-Cruz (18° grau do Rito Escocês), que é praticada toda quinta-feira da Semana Santa. Conforme havia feito muitas vezes, mas agora como um cristão recém-convertido - estando todos vestidos em mantos pretos e encapuzados – ele começou a conduzir o ritual: “Encontramo-nos neste dia para comemorar a morte de nosso 'Sapientíssimo e Perfeito Mestre', não como inspirado ou divino, pois isto não compete a nós decidir, mas como pelo menos o maior dos apóstolos da humanidade”. A mesa em forma de cruz, sobre a qual há rosas vermelhas, é o lugar onde o mestre dirige a ceia maçônica, com vinho e pão: “Comei e dai de comer a quem tem fome... Bebei e dai de beber a quem tem sede”. Depois de apagar todas as velas do candelabro, com exceção de uma, o mestre anuncia a morte do “Sapientíssimo e Perfeito Mestre” - “Ele está morto! Lamentai, pranteai e chorai, pois ele se foi” e apaga a última vela, tudo terminando em escuridão.[63] Embora Shaw tivesse conduzido esse mesmo ritual diversas vezes, nesta ocasião ele estava tremendo e com náusea, reconhecendo o significado cristológico do que fazia: “Tínhamos dramatizado e comemorado a extinção da vida de Jesus, sem mencionar sequer uma vez seu nome... Eu havia acabado de chamar Jesus de 'um apóstolo da humanidade' que não era inspirado nem divino”. Logo depois, Shaw renunciou à loja.[64] Sua conclusão foi que o sentido anticristão não representava apenas uma facção maçônica ocultista declarada, mas certos rituais e ensinos básicos da maçonaria são deliberadamente antagonistas à fé cristã.
6. Como Alguém É Salvo na Maçonaria?
Quando o iniciado (chamado profano) participa do primeiro grau de Aprendiz-Maçom, confessa-se que ele (vendado, nesse momento) vivia nas trevas e estava cego, mas, agora, deseja entrar à verdadeira luz da maçonaria.[65] Não há nenhuma exceção para o cristão. Enquanto a irmandade não articula publicamente um caminho de salvação, existem pressuposições inegáveis - vistas desde o primeiro rito até o sepultamento de cada maçom. A perspectiva soteriológica da maçonaria é percebida através de quatro conceitos, os quais orientam toda sua prática: (a) a natureza do homem; (b) a aceitação de Deus; (c) a vida vindoura; e (d) o proselitismo evangélico.
a. A natureza do homem. O cristianismo clássico confessa a verdade irônica de que o ser humano, sendo criado na imagem de Deus, é ontologicamente superior e separado das outras criaturas terrestres. Ao mesmo tempo, porém, ele é espiritualmente rebelde e corrupto, afastado de Deus e morto em suas transgressões - ou seja, ele é moralmente o pior ser terrestre. Apesar de suas muitas instruções moralistas, a maçonaria é marcada por uma ausência total dos conceitos de pecado e arrependimento (nem possui tais palavras em seus dicionários). Em vez de estar separado do G.A.D.U., o homem é visto como apenas imperfeito e não-iluminado, algo simbolizado na Pedra Bruta (cubo polígono) do Aprendiz, que nos graus seguintes é burilada e polida: “Símbolo da Idade Primitiva e, portanto, do homem em estado natural e sem instrução, a Pedra Bruta é a imagem da alma do profano antes de ser instruído nos mistérios maçônicos”.[66] O profano, ou não-maçom, não está derradeiramente perdido, mas encontra-se apenas mais longe de Deus do que a elite fraternal da maçonaria, que possui a responsabilidade de construir “o Templo da Humanidade”. A loja é o meio através do qual os homens podem melhorar a si mesmos e procuram “levantar templos à Virtude e cavar masmorras ao vício”.[67] Assim, a maçonaria pressupõe essencialmente a natureza boa de cada ser humano, mas esta natureza precisa de um despertamento e de uma iluminação por meio da filosofia da fraternidade.[68] Obviamente, não há necessidade e nem motivo para a propiciação de pecados mediante a morte de Jesus Cristo na cruz.
b. A aceitação de Deus. “A maçonaria”, afirma J. S. M. Ward, “ensina que cada homem, por si mesmo, pode desenvolver seu próprio conceito de Deus e, assim, alcançar a salvação”.[69] Sem dúvida, a maçonaria promulga a idéia de que, através de seus próprios esforços, o homem é aperfeiçoado e torna-se digno perante o G.A.D.U. A regeneração, ou conversão, é essencialmente um processo da alma humana.
A doutrina da regeneração foi ensinada, nos Antigos Mistérios, por símbolos: não é, porém, o dogma teológico da regeneração peculiar à Igreja Cristã, mas o dogma filosófico de uma mudança da morte para a vida, isto é, um novo nascimento para a existência imortal... É esta a doutrina ensinada nos Mistérios maçônicos, e muito especialmente no simbolismo do Terceiro Grau [ressurreição de Hirãm-Abif]. Não precisamos dizer que o Maçom se acha regenerado pelo fato de ter sido iniciado, mas tão-somente que foi doutrinado na filosofia da regeneração, ou na do renascimento de todas as coisas - da luz surgindo das trevas, da vida nascendo da morte, da vida eterna em substituição da vida transitória.[70]
Rizzardo da Camino acrescenta: “A finalidade precípua da Maçonaria é o ato regenerativo. A reconstrução do ser humano, da Natureza, do Cosmos, são os ideais maçônicos”.[71] Se alguns expositores da maçonaria falam de uma salvação realizada por uma progressão que envolve o auto-aperfeiçoamento e boas obras, outros, como Albert Pike, avançam mais um passo, já visto anteriormente: “Em cada ser humano, o Divino e o Humano estão entrelaçados”, e “a maçonaria é a subjugação do Humano pelo Divino que está no homem”.[72] Como Pike, Gervásio de Figueiredo pressupõe a divindade inata de cada homem: “Deus é a alma de tudo... Deus e o mundo são apenas um”.[73] Diante das múltiplas afirmações maçônicas sobre a natureza da salvação, muitos autores concluem que a soteriologia maçônica é antiética à fé evangélica, conforme articulado pelo escritor maçônico E. A. Coil:
O fato de a diferença fundamental entre os princípios incorporados nos credos históricos da cristandade e aqueles de nossas ordens secretas modernas não ter sido claramente refletida é indicado pela evidência de que muitos comprometem-se com ambos. Há maçons que, nas igrejas, aderem à doutrina de que "somos considerados justos perante Deus apenas pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pela fé, e não por nossas próprias obras e merecimentos", e entusiasticamente juntam-se ao coro dos hinos nos quais essa idéia é expressa. Então, em suas reuniões maçônicas, exatamente com o mesmo entusiasmo, eles assentem à seguinte declaração: "Embora nossos pensamentos, palavras e ações possam ser ocultos dos olhos dos homens, ainda assim aquele Olho-Que-Tudo-Vê, a quem o sol, a lua e as estrelas obedecem... penetra nos recantos mais íntimos do coração humano, e nos recompensará de acordo com nossos méritos". Uma criança pequena, assim que se chame sua atenção para o assunto, deve ser capaz de perceber que é impossível harmonizar a frase do credo aqui citada com a declaração extraída da admoestação de uma de nossas maiores e mais eficazes ordens secretas, e encontrada, na totalidade, nas liturgias de todas, ou quase todas, as outras... Uma dessas afirmações exclui a outra. Os homens não podem coerentemente anuir a ambas.[74]
Na maçonaria, a salvação do homem é alcançada sem Jesus Cristo. O ser humano alcançará a perfeição e a aprovação divina através de seus próprios esforços moralistas, senão por sua própria divinização.
c. A vida vindoura. O Landmark n° 20 declara que, de cada maçom, “é exigida a crença de uma vida futura”.[75] A imortalidade da alma é uma das doutrinas mais importantes da confraria. Por isso, tendo obtido a permissão da família, os maçons exigem o controle exclusivo sobre o último rito do irmão falecido. Embora os rituais fúnebres variem, todos declaram que
FONTE:http://www.monergismo.com/textos/seitas_heresias/maconaria_scott.htm
Por: J. Scott Horrell
A maçonaria constitui um enigma para o povo evangélico. Sendo a maior sociedade secreta do mundo, com cerca de seis milhões de membros atualmente, a maçonaria tem uma longa história entrelaçada com o protestantismo – especialmente na Grã-Bretanha, na Europa, nos Estados Unidos (com 4 milhões de membros) e no Brasil [1]. Ao mesmo tempo, a fraternidade orgulha-se de contar com membros das elites do mundo, seja no passado [2] ou no presente: desde Voltaire, Mozart, Garibaldi e Goethe, até vários nobres da Europa - incluindo o rei da Suécia e a Rainha Elizabete II (Grande Patronesa da Loja Britânica) - além de catorze presidentes dos Estados Unidos (Johnson, Ford, Reagan etc.). George Washington, o primeiro presidente dos Estados Unidos, era um Grão-Mestre maçom, sendo considerado um dos adeptos mais fiéis de todas as treze colônias de sua época. Não é por acaso que a cédula do dólar americano, que tem o retrato de Washington, traz a pirâmide, o esquadro, a águia e outros símbolos maçônicos junto com as palavras NOVUS ORDO SECLORUM (sic., “nova ordem dos séculos”) [3]. O fato de que milhares de pastores e leigos evangélicos ao redor do mundo fazem parte das lojas maçônicas, e de que projetos filantrópicos de grande porte são administrados por eles [4] sugere que essa sociedade só oferece o bem, e até promulga valores e ensinos cristãos.
Por outro lado, conforme alguns estudiosos sustentam, a maçonaria, apesar de se autodenominar não-religiosa, divulga uma filosofia essencialmente anti-cristã. Subjacente à irmandade e aos esforços de caridade, existe um programa não manifesto advogando uma religião sincretista, negando a pessoa divina e a obra salvífica de Jesus Cristo, e mantendo elos sinistros com o ocultismo. A maçonaria foi rejeitada como antitética à fé cristã pelos católicos romanos [5] e pelas Igrejas Ortodoxas Oriental e Russa [6]. Mais recentemente, várias denominações protestantes estão reavaliando o envolvimento de seus membros na sociedade maçônica, chegando a conclusões surpreendentes:
A nosso ver, a obediência total a Cristo impede a adesão a qualquer organização, tal como o movimento maçônico, que parece requerer uma fidelidade integral a si mesma... Exige-se do iniciado que ele se entregue à maçonaria assim como o cristão deve entregar-se somente a Cristo. (A Igreja da Escócia, 1965) [7]
[Este] relatório indica várias razões fundamentais para se questionar a compatibilidade da maçonaria com o cristianismo. (A Igreja da Inglaterra, 1985) [8]
Mesmo na interpretação mais generosa das evidências, permanecem sérias questões para os cristãos acerca da maçonaria... Existe um grande perigo de o cristão que se torna maçom acabar comprometendo sua fé cristã ou sua fidelidade a Cristo, talvez sem perceber o que está fazendo. Conseqüentemente, nossa orientação ao povo metodista é que os metodistas não devem se tornar maçons. (A Igreja Metodista Britânica, 1985) [9]
Sentimos que existe um grande perigo de que o cristão maçom acabe comprometendo sua fidelidade a Jesus, talvez sem perceber o que está fazendo... a conclusão evidente a que chegamos em nossa pesquisa é que há uma incompatibilidade inerente entre a maçonaria e a fé cristã. (As Uniões Batistas da Escócia, Grã-Bretanha e Irlanda, 1987) [10]
Enquanto várias denominações da América do Norte já renunciaram a maçonaria [11] a maior igreja evangélica dos Estados Unidos, a Convenção Batista do Sul - que possui um alto índice de membros maçônicos – está em processo de pesquisa sobre essa questão, e sabe-se que teme que os resultados possam dividir a denominação. Fundadas ou não, tais preocupações das denominações tradicionais devem alertar o cristão, inclusive o cristão maçom, para o fato de que talvez existam elementos básicos da loja maçônica que são questionáveis. A maçonaria, portanto, levanta tensões e perguntas que nem sempre se resolvem facilmente.
No Congresso Maçônico Internacional de 1899, afirmou-se que a fraternidade assumiu o lugar central em todos os movimentos revolucionários do mundo no século XIX [12], inclusive no Brasil. Na maior parte da América Latina, conforme se vê nas histórias de Simon Bolívar, Carlos Alvear, San Martin e Francisco Miranda, a maçonaria e as sociedades semi-maçônicas forneciam as estruturas clandestinas para planejar e financiar as lutas revolucionárias pela independência.[13] Na história brasileira, apesar de ambigüidades sobre quando a verdadeira maçonaria começou, por volta de 1800 havia várias organizações com inspiração maçônica - como as Inconfidências Mineira, Carioca e Baiana - as quais contribuíram grandemente para a autonomia nacional. Mais tarde, com o domínio da maçonaria inglesa (ou Maçonaria Azul, advogando o monarquismo parlamentar) sobre a francesa (ou Maçonaria Vermelha, defendendo a democracia),[14] o próprio Imperador D. Pedro I foi iniciado e, logo, proclamado o Grão-Mestre da loja Grande Oriente do Brasil, em 1822. [15] Conforme o historiador maçônico Manoel Gomes (33°), tanto a libertação do Brasil do domínio português quanto a passagem da monarquia para a república “foram movimentos idealizados, preparados e tornados realidade” pelas lojas da maçonaria.[16] Entre seus membros ilustres, ele inclui Tiradentes, Castro Alves, Rui Barbosa, Marechal Deodoro da Fonseca, Marechal Floriano Peixoto, Duque de Caxias, Campos Sales e Padre Diogo Feijó. É interessante notar que, apesar da proibição papal, vários padres, bispos e cônegos faziam parte da maçonaria brasileira antiga, aparentemente como veículo de suas convicções políticas.[17]
O elo evangélico aparece mais tarde. Com sua filosofia de religião aberta (sendo, conforme certos estudiosos, anti-católica), a maçonaria brasileira facilitou, em alguns casos, a entrada de missionários evangélicos no país. Às vezes, a loja maçônica até os protegia da oposição da Igreja Católica.[18] Outras vezes, pelo menos no nível individual, a fraternidade maçônica ajudou a financiar a construção dos templos evangélicos. Por estas e outras razões, a maçonaria goza de alta aceitação em meio a certas denominações protestantes do Brasil, contando até com defensores entre os pastores nacionais.[19] O testemunho sincero do Pr. José Motta reflete uma experiência que não é incomum. Sendo convidado para requerer seu ingresso na maçonaria, o jovem pastor batista foi visitado por um respeitado advogado cristão:
... ele foi me dizendo que também era maçom e que muito se orgulhava de sê-Ia, pois não via inconveniência para nós, crentes em Jesus; pelo contrário, as coisas se tornam mais fáceis para a penetração na sociedade como maçons e a nossa influência como crentes se torna mais acentuada e respeitada... [No dia em que o PI. Motta, com 23 anos, declarou que queria entrar para a maçonaria:] Vi-me cercado por homens da alta sociedade, dentre eles médicos, generais de Exército, aposentados, professores, advogados e outros... Foram momentos agradáveis.
... Agora eu sou maçom. Inicia-se, assim, uma nova etapa na minha vida. Dediquei-me aos trabalhos. Fazia algumas palestras e nessas fazia menção da Bíblia... Louvado seja Deus! A nossa casa era o centro dos encontros. Visitas não faltavam. Famílias e maçons e outros amigos, inclusive de freiras, eram as constantes visitas. Na Loja, pela dedicação na área de assistência social e na educação de adultos, fui galgando os degraus... Sentia-me útil e sabia que, em tudo isso, Deus estava me projetando para o futuro, preparando-me para a Sua Obra.[20]
Tipicamente, os argumentos de maçons evangélicos são que a maçonaria: (1) é uma fraternidade benemérita e não-religiosa; (2) gera respeito para a presença evangélica entre pessoas de alto gabarito; e (3) abre caminho para servir a Deus na sociedade em geral.
Nem todos os evangélicos no Brasil manifestam o mesmo entusiasmo. Algumas denominações são explícita ou implicitamente anti-maçônicas. Em 1903, a Igreja Presbiteriana Independente formou-se sob a liderança de Eduardo Carlos Pereira, separando-se da Igreja Presbiteriana Sinodal (Presbiteriana do Brasil) principalmente devido à questão da loja. A Igreja Luterana Concórdia também se destaca por ser contra a maçonaria. De modo menos agressivo, a Igreja Batista Pioneira continua distinguindo-se' dentro da Convenção Batista Brasileira, em parte devido a essa causa. Com poucas exceções, as denominações teologicamente mais conservadoras fundamentalistas, holiness (Metodista Livre e Wesleyana) e pentecostais (Assembléia de Deus; Igreja Quadrangular, com exceções) - posicionam-se contra a maçonaria, enquanto as igreja evangélicas tradicionais permitem que seus membros afiliem-se às lojas.[21]
Hoje, apesar de ter uma história marcada pela fragmentação, o conjunto das ordens maçônicas do Brasil é uma das grandes potências mundiais da sociedade, consistindo na maior dos países latinos (europeus e americanos), com cerca de 150.000 membros.[22] O novo Palácio Maçônico de Brasília do Grande Oriente do Brasil - a ordem maçônica mais numerosa do país, possuindo por volta de 100.000 membros - foi inaugurado em dezembro de 1992. A cerimônia foi assistida por um grupo de maçons que incluía 120 parlamentares federais e Maurício Corrêa (Ministro da Justiça), o qual, por sua vez, representou o Presidente da República Itamar Franco (Fernando Collor também é maçom).[23] No ano 2000, a Conferência Internacional dos Grandes Soberanos Comendadores acontecerá no Brasil e, conforme a entrevista de Ano Zero com Venâncio Igrejas, o Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33, “muitos acreditam que o Brasil será um dos países que sediará o advento de uma nova Consciência no século XXI”.[24] Através das Ordens DeMolay e Arco-Íris, dedicadas aos jovens, a influência da maçonaria no Brasil, ao contrário de em outras partes do mundo, parece cada vez mais forte.
Certamente, a presença maçônica está deixando sua marca nas igrejas evangélicas do país. O poder dos maçons na organização de certas denominações é tão marcante que, às vezes, na expressão frustrada de um líder nacional, “parece que há uma hierarquia [maçônica] por trás da hierarquia [denominacional]”. Fundados ou não, existem boatos entre jovens pastores de que, sem ser maçom, não se consegue subir nas estruturas eclesiásticas. Portanto, a questão da maçonaria na igreja evangélica é importante e urgente, acarretando conseqüências para o futuro que nem todos querem reconhecer - posicionando-se seja a favor ou contra.
Esta prolongada introdução leva-nos ao propósito do artigo: analisar a compatibilidade entre a filosofia maçônica e as afirmações centrais da fé evangélica. Não procuraremos julgar a irmandade maçônica em si, nem negar que há indivíduos nas lojas os quais desconhecem ou discordam dos ensinos em geral proferidos dentro das ordens. Responderemos às seguintes perguntas:
1. É possível ter um conhecimento definido sobre a filosofia maçônica?
2. A maçonaria é uma religião?
3. Qual é o lugar que a Bíblia ocupa?
4. Quem é o Deus da maçonaria?
5. Qual é o lugar de Jesus Cristo?
6. Como alguém é salvo?
7. Existem vínculos entre a maçonaria e as religiões ocultas? Na conclusão, faremos observações sobre o relacionamento entre o evangelismo e a maçonaria no Brasil.
1. É Possível Ter um Conhecimento Definido Sobre a Filosofia Maçônica?
Basicamente, os maçons apresentam três alegações defendendo sua posição de que o não-maçom não sabe seus ensinos. Em primeiro lugar, como a confraria é uma sociedade secreta histórica e geograficamente variada em suas formas, o não-maçom simplesmente não tem acesso ao conhecimento claro de seus rituais, símbolos e ensinos. Em segundo lugar, existe uma grande quantidade de livros que se projetam como representantes da verdadeira maçonaria, quando, de fato, em geral não são aceitos pelas lojas, ofuscando assim qualquer imagem distinta pelo público. Finalmente, de acordo com o escritor maçom Alphonse Cerza, não existe uma autoridade final na maçonaria: “Os anti-maçons têm dificuldades em entender que a maçonaria não possui uma 'voz oficial', e que a liberdade de pensamento e expressão é um dos princípios essenciais da Ordem”. [25]
Admitindo que a maçonaria não exalta um livro ou líder como autoridade absoluta e universal, ainda assim ninguém negaria que as ordens e lojas reconhecem autoridades - o que é comprovado pelo fato de que 90% da maçonaria mundial pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito, com seus Supremos Conselhos do 33° Grau. Na verdade, existem várias autoridades: (1) os Landmarks (25 fundamentos absolutos);[26] (2) a Constituição e os regulamentos gerais das ordens, determinados pelos Supremos Conselhos; (3) o Ritual em si - especialmente o da Loja Azul (os três passos básicos de todos os Mestres-Maçons de qualquer rito ou ordem);[27] (4) o Supremo Grande Comendador da Ordem e o Grão-Mestre da loja; e (5) um fato patentemente comprovado mediante extensas pesquisas, há livros reconhecidos e usados no mundo inteiro. Por ordem de preferência nos Estados Unidos, as três obras mais empregadas são: Coil's Masonic Encyclopedia (Enciclopédia Maçônica de Coil”); The Builders (“Os Construtores”), de Joseph Fort Newton; e Mackey's Revised Encyclopedia of Freemasonry (“Enciclopédia Revisada de Maçonaria de Mackey”).[28]
No Brasil, é surpreendente o número de bibliotecas e livrarias (de volumes novos e usados) - especialmente espíritas - que estão repletas de literatura maçônica, incluindo as obras "secretas" da Editora Maçônica. Encontram-se acessíveis ao pesquisador não-maçom dezenas de livros escritos por autoridades maçônicas brasileiras, tais como Jorge Adoum (o Mago Jefa), Nicola Aslan (33°), Joaquim Gervásio de Figueiredo (33°), Manoel Gomes (33°), Rizzardo da Camino (33°) e Zilmar de Paula Barros (33°) - além de muitos outros autores traduzidos em língua portuguesa.[29] Embora os maçons neguem a autoridade absoluta de qualquer um desses indivíduos, não se pode deixar de admitir que a maior parte de seus escritos é representativa da prática e do ensino da maçonaria brasileira (reconhecendo algumas diferenças entre as ordens). Com os documentários e as obras públicas sobre a sociedade, além dos vários livros evangélicos de ex-líderes maçônicos que asseveram expor os segredos da sociedade, existem boas bases para a pesquisa.[30] Tudo isso refuta o argumento de que somente os maçons possuem acesso à sua filosofia.
2. A Maçonaria É uma Religião?
Uma das imagens mais divulgadas pela Loja é a de que a maçonaria não possui dogmas ou credos, sendo que apóia toda religião civil e deixa o indivíduo maçom livre para ter suas próprias convicções de fé. Nas palavras de Venâncio Igrejas, a voz mais autorizada do Brasil: “Nos templos não discutimos política e religião”.[31] A Ordem rejeita categoricamente o ateísmo e diz que apóia a religião da cultura dentro da qual funciona, pretendendo apenas o melhoramento do caráter e da moral de seus membros. Sobre essa diversidade religiosa, Nicola Aslan (33°), em seu Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, comenta:
A respeito da religião da Maçonaria, as opiniões são muito divididas entre os Maçons e elas dependem, em grande parte, das tendências religiosas e filosóficas que norteiam as obediências e os ritos maçônicos.
Assim, a Maçonaria anglo-saxônica, em grande parte protestante, é considerada profundamente religiosa e teísta, como o Rito de York... Julga-se geralmente a Maçonaria francesa como racionalista, porque, através do Rito Moderno, permite a iniciação a pessoas sem crença definida, considerando que as opiniões religiosas são questões de foro íntimo, enquanto o Rito Escocês Antigo e Aceito, embora exija a crença em Deus do candidato, é denominado deísta...32
Aslan está parcialmente correto. A religiosidade da loja local depende de vários fatores. Muitas vezes, especialmente nos graus mais baixos, a religião aparece apenas como um elemento periférico da função da loja. Outras vezes, a ênfase teológica (implícita ou explícita) pode variar desde o panteísmo e o ocultismo até um teísmo ecumênico e semi-cristão - por exemplo, no sul dos Estados Unidos. Com certa freqüência, os anti-maçons ignoram a diversidade dos ritos e formas práticas das lojas nesse sentido.
Por outro lado, a palavra religião tem uma definição geral que os defensores da maçonaria não podem ignorar. Na obra The Encyclopedia of Philosophy (“Enciclopédia de Filosofia”), encontramos a descrição de nove marcas da religião: (1) a crença num ser ou seres sobrenaturais; (2) a distinção entre objetos sagrados e profanos; (3) atos rituais orientados para esses objetos; (4) um código moral com sanção divina; (5) sentimentos religiosos despertados por objetos ou rituais sagrados e relacionados, em teoria, com um deus ou deuses; (6) a oração; (7) uma cosmovisão que engloba o lugar do indivíduo no mundo; (8) a organização da vida ao redor dessa cosmovisão; (9) um grupo social que é unificado pelas características acima.[33] Conforme Ankerberg e Weldon claramente documentam, a maçonaria caracteriza-se por cada uma dessas qualificações.[34] Por isso, a grande maioria dos líderes admite que a maçonaria é, na verdade, uma religião:
A maçonaria pode afirmar corretamente chamar-se uma instituição religiosa... Veja seus antigos landmarks, suas cerimônias sublimes, seus profundos símbolos e alegorias - todos inculcando uma doutrina religiosa, ordenando uma observância religiosa e a verdade religiosa, e quem pode negar que ela é eminentemente uma instituição religiosa?.. Abrimos e fechamos nossas lojas com uma oração; invocamos a bênção do Altíssimo sobre todos nossos trabalhos; exigimos de nossos neófitos uma profissão de fé confiante na existência e no cuidado providencial de Deus. (Mackey) [35]
Rizzardo da Camino, no Dicionário Maçônico, declara abertamente: “A Maçonaria é uma Religião, no sentido estrito do vocábulo, isto é, na 'Harmonização' da criatura ao Criador. É a Religião [sic.] Maior e Universal”.[36] Joaquim Gervásio de Figueiredo, no Dicionário de Maçonaria, define a irmandade da seguinte maneira:
Maçonaria: “É um sistema sacramental que, como todo sacramento, tem um aspecto externo, visível, consistente em seu cerimonial, doutrinas e símbolos, e outro aspecto interno, mental e espiritual, oculto sob as cerimônias, doutrinas e símbolos, e acessível só ao maçom que haja aprendido a usar sua imaginação espiritual e seja capaz de apreciar a realidade velada pelo símbolo externo”. [37]
Existem dezenas de declarações paralelas.[38] Conquanto haja divergências (uma face pública, outra interna), grande parte da literatura maçônica sem dúvida no Brasil - sustenta abertamente a natureza religiosa da fraternidade. No Brasil, o fato de se descobrirem, em livrarias e bibliotecas, obras sobre a maçonaria junto com livros acerca de esoterismo, ocultismo e religião comprova o consenso público nessa questão. De fato, em quase todos seus escritos, a maçonaria apresenta-se como a essência da religião.[39]
3. Qual é o Lugar Que a Bíblia Ocupa na Maçonaria?
Às vezes, os cristãos maçons destacam que a maçonaria especulativa foi iniciada por dois pastores e, assim, é essencialmente cristã em seus fundamentos. Pelo menos, não contradiz nada do que o cristianismo promulga. Na revista maçônica New Age, Winston Watts (32°) expõe a procura da verdade, afirmando que, "na maior parte, nossa busca está centrada na Bíblia Sagrada, a fonte principal de nosso conhecimento".[40] Em virtualmente todos os dicionários maçônicos, a Bíblia - "o Livro da Lei"é exaltada como "um dos grandes Luzeiros da Maçonaria",[41] um elemento importantíssimo dos móveis da loja ocidental, sobre o qual todo cristão iniciado faz seu juramento. Em parte, é com base em certas figuras bíblicas - por exemplo, São João Batista, São João Evangelista, João Marcos e o artífice Hirãm-Abitt (ou Hirão Abi, 1 Rs 7.13-14; 2 Cr 2.13-14) - que a maçonaria desenvolveu suas mitologias e rituais.
Em toda a literatura maçônica (Ritos York e Escocês), entretanto, dificilmente se descobre qualquer afirmação acerca da única inspiração verbal ou da autoridade soberana das Escrituras. Sem exceção, os autores fazem questão de insistir que a Bíblia é apenas um livro sagrado, usado como metáfora da vontade divina e da lei natural. Na Coils Masonic Encyclopedia, a obra mais autorizada nos Estados Unidos, lemos: “A opinião maçônica prevalecente é de que a Bíblia constitui apenas um símbolo da vontade, lei ou revelação divina, e não que seu conteúdo é lei divina, inspirada ou revelada”.[42]
Naturalmente, sendo um símbolo, a Bíblia precisa de interpretação. Zilmar de Paula Barros, em A Maçonaria e O Livro Sagrado, declara que, “com a morte física de Jesus, perdeu-se a PALAVRA. E, entre as múltiplas finalidades. da Maçonaria, está buscar a 'palavra perdida...', ou seja TRAZER A HUMANIDADE A VERDADEIRA INTERPRETAÇAO DA MENSAGEM EVANGÉLICA DE JESUS![43] Martin Wagner, um perito em maçonaria, observa o seguinte: "Todos os maçons eminentes afirmam que existe um véu sobre as Escrituras, o qual, quando removido, as torna claramente concordes com os ensinamentos maçônicos, e em harmonia essencial com outros livros [sagrados]”.[44] Logo, a filosofia maçônica constitui o par de óculos através do qual tudo é filtrado.
Apesar da ênfase na Bíblia Sagrada, os livros esotéricos freqüentemente recebem mais atenção. Em suas instruções sobre os três primeiros graus (Loja Azul) no Brasil, Nicola Aslan explica:
A Bíblia e a Cabala fornecem o mais poderoso contingente para o enriquecimento do simbolismo maçônico, e o Ocultismo, abrangendo o conjunto dos sistemas filosóficos e das artes misteriosas derivadas dos conhecimentos dos antigos, deu também abundante contribuição.[45]
Quase sempre, a verdadeira sabedoria (antiga) é descoberta no misterioso e oculto, seguindo o gnosis, a iluminação, a numerologia e, especialmente, a cabala (misticismo judaico).[46] Diante da mistura de religiões sincretistas que predominam na literatura maçônica, a Bíblia fica subjugada a interpretações diversas por meios místicos e alegóricos. Por outro lado, ninguém defende uma interpretação objetiva e histórico-gramatical. A Bíblia é aproveitada por sua ética e como símbolo divino, sem encorajar qualquer interpretação doutrinária de seu conteúdo. De fato, muitas seitas consideradas heréticas são mais fiéis ao significado do texto bíblico do que os escritos maçônicos.
4. Quem É o Deus da Maçonaria?
O Deus maçônico é denominado o Grande Arquiteto do Universo (G.A.D.U.) - o Ser Supremo, Criador ou Força Cósmica da existência e preservação. O Landmark 19 proclama: “A negação da crença do G.A.D.U. é impedimento absoluto e insuperável para a iniciação”.[47] Propositadamente, a definição é ambígua o bastante para englobar todos os conceitos de Deus sustentados pelas religiões - não apenas as teístas (judaica, cristã e islâmica), mas também as dualistas (taoísta, zoroastriana) e as panteístas (gnóstica, espírita, hindu e budista). Sem dúvida, no início da história da maçonaria especulativa, as pressuposições eram mais teístas, como continuam sendo para os cristãos que se envolvem na loja. Ironicamente, foram os reverendos anglicanos James Anderson e John Desagulliers, elaboradores da primeira Constituições (1723), que abriram a maçonaria para todas as crenças e descristianizaram a linguagem maçônica, procurando uma estrutura teológica mais universal.[48] Entretanto, a nível popular, dentro das culturas “cristãs” - cada vez menos, porém - o Grande Arquiteto do Universo continua a ser cultuado como um Ser soberano, inteligente, moral e, em certo sentido, pessoal. Assim como o antigo liberalismo do século passado, a maçonaria proclama “a paternidade do Pai e a fraternidade ao homem”. Semelhantemente, também, a essência da religião define-se mais pela ética do que por qualquer crença em afirmações doutrinárias.[49] Logicamente, tais afirmações já pressupõem uma cosmovisão e uma teologia geral que se encontram expressas em muitos escritos, como no Dicionário de Gervásio de Figueiredo:
Não obstante a imensa diversidade de seus cultos externos, todas as religiões apresentam uma base comum em seus internos princípios morais, filosóficos e místicos. Com efeito, o estudo comparativo das religiões demonstra serem idênticos os seus ensinamentos fundamentais sobre a Divindade, o homem, o universo, a vida futura, porém adaptados à época e ao povo a que se destinaram... Seus imortais fundadores foram todos Mensageiros da Verdade única, que deram à humanidade seu evangelho de União e Fraternidade, para que através do Amor as almas se religuem entre si e ao Supremo. Todos eles foram unânimes em proclamar a Paternidade de Deus e a Fraternidade dos homens. Tal foi, em essência, a mensagem de Vyâsa, Hermes, Trismegisto, Zarathustra, Orfeu, Krishna, Moisés, Pitágoras, Platão, Cristo, Maomet e outros. [50]
O conceito de Deus nos escritos da maçonaria é uma mistura de tudo, de gnosticismo, druidismo, luciferianismo, hinduísmo, taoísmo, zoroastrismo, iluminismo, cristianismo liberal e Nova Era. Mackey declara: “A religião da maçonaria é cosmopolita, universal... 'Esteja certo', diz Godfrey Higgins, 'de que Deus está igualmente presente com o piedoso hindu no templo, o judeu na sinagoga, o muçulmano na mesquita e o cristão na igreja'”.[51] Contudo, por trás do pluralismo, existe uma crença fundamental, articulada por Aslan:
...é absolutamente necessário fazer abstração de todo fanatismo como de todo preconceito religioso ou anti-religioso, posto que estas veneráveis tradições são os “ecos” dos velhos dados da antiga ciência dos Iniciadores, tão intimamente ligada, então, às Religiões que é quase impossível separá-las de sua Mãe.[52]
Ou seja, todas as religiões são representações das antigas e primitivas verdades, destiladas no ensino da maçonaria, que é, em última instância, a Mãe de todas as religiões. Deus, o G.A.D.U., é o Deus buscado e manifestado por todas as religiões. Infelizmente, tal representação - popular no romantismo otimista dos séculos XVIII e XIX - ignora um fato muito patente: seu conceito de Deus determina sua ética. É impossível unificar as definições mais variadas de Deus em torno de uma ética fraternalista: o pacifismo social do hindu, a ética vindicativa do muçulmano e o amor autosacrificial ativo do cristão encontram-se diretamente relacionados com contraditórios conceitos de Deus.
Talvez uma das acusações mais fortes contra a loja seja a seguinte: no grau do Real Arco do Rito de York, quando o maçom supostamente encontra a Arca da Aliança perdida nas ruínas do templo salomônico, descobre-se o verdadeiro nome de Deus como sendo JABULOM. Tal nome, segundo o próprio H. W. Coil, é uma associação de lahweh (o Jeová do Antigo Testamento), Ba'al ou Bel (o deus cananita) e Om (Osiris, o deus-sol do Egito)[53] - o que um autor chama de “Não-Santíssima Trindade”.[54] Outros observam que, no Rito Escocês, no 17° Grau dos Conselhos de Cavaleiros do Oriente e Ocidente, há também a “palavra sagrada” Abadom; este nome divino na maçonaria é o nome do rei ( ou anjo) do abismo, em Apocalipse 9.11.[55]
Embora a maçonaria encoraje um pluralismo da conceituação de Deus, conforme vários autores afirmam, há cada vez menos lugar para o Deus tripessoal da Bíblia. A idéia do Logos e da Trindade é vista de uma forma gnóstica e alegórica, distante da Confissão de Nicéia, como vemos na exposição do 4º Grau por Jorge Adoum [56]. Embora nem todos o façam, alguns eruditos maçônicos, tais como Albert Pike [57], presunçosamente atacam o cristianismo clássico com os argumentos comuns do século XIX, alegando um politeísmo que formou o judaísmo antigo, a base pagã do trinitarismo, e pregando um deísmo otimista característico daquela época. Num novo documentário, Robert A. Morey, um autor bastante objetivo, declara o seguinte:
Centenas de livros maçônicos que atacam o cristianismo e ensinam abertamente o paganismo são publicados, apoiados e recomendados por altos oficiais, lojas estaduais e conselhos supremos. É-nos dito que isso é adequado, porque a Ordem deve ser universal em seu apelo, e cada maçom pode interpretar a palavra “Deus” e os símbolos da confraria da maneira como quiser.
Entretanto, quando um cristão maçom procura oferecer uma interpretação cristã dos rituais e símbolos da confraria, ele é proibido de assim o fazer!... Para cada escritor maçom que diz que a maçonaria não é uma religião, há cinco escritores maçons afirmando que é uma religião pagã... todos eles concordam que o cristianismo está errado e que seus ensinamentos não devem ser permitidos na loja...
Se a maçonaria continuar na direção em que parece estar indo, então os cristãos maçons devem abandonar a Ordem, porque ela vem se tornando uma religião pagã, ocultista, hostil ao cristianismo.[58]
Concluímos que, embora alguns indivíduos e até certas lojas locais sustentem uma definição da divindade mais próxima do cristianismo histórico, a grande maioria ignora ou rejeita a perspectiva bíblica de Deus. Dificilmente se pode negar que, nas águas turvas do ritual e do símbolo maçônicos, há implicações sinistras sobre o entendimento de Deus para o cristão verdadeiro.
5. Qual É o Lugar de Jesus Cristo?
Diante de um conceito ambíguo e unitariano de Deus, seria correto esperar pouco sobre o Redentor. Ao buscarmos informações acerca de Jesus Cristo nos dicionários e enciclopédias maçônicos - Coil, Mackey, Macoy, Gervásio de Figueiredo, Rizzardo da Camino, Aslan - descobrimos uma ausência quase total de dados a esse respeito. Quando se procuram referências sobre Jesus Cristo, a cruz ou outros ensinos especificamente cristãos nas próprias citações bíblicas dos rituais e cerimônias maçônicos, percebe-se logo que todas foram omitidas - tiradas do meio dos trechos (e. g. At 4.11; 2 Ts 3.6, 12; 1 Pe 2.4-8, onde a pedra angular é o verdadeiro maçom).[59] Embora as reuniões maçônicas incluam a oração, é absolutamente proibido orar no nome de Jesus. Eles até mesmo modificaram o calendário baseado no advento de Cristo, aceito no mundo inteiro, para um sistema irreligioso: “Os maçons, ao fixar datas em seus documentos oficiais”, diz Mackey, “nunca fazem uso da época comum ou era vulgar, mas têm uma que lhes é peculiar...”[60] Paradoxalmente, em alguns casos, os mesmos dicionários que omitem Jesus Cristo contêm artigos substanciais sobre dezenas de outros religiosos antigos e modernos - Jonas, Ezequiel, Orfeu, Pitágoras, Zoroastro, Emmanuel Swedenborg, Annie Besant, Helena Blavatsky etc. Isso sugere, no mínimo, a irrelevância de Jesus Cristo na filosofia maçônica.
Em alguns 'aspectos, a maçonaria evidencia implicações ainda mais preocupantes: por um lado, a divindade de Cristo é negada e, por outro, a divinização do homem é afirmada. Rizzardo da Camino define Cristo da seguinte maneira: “É a denominação de um 'estado de alma' que se encontra na parte espiritual do ser humano. Jesus atingiu esse 'grau' na Cruz e por isso foi denominado de Jesus o Cristo. É erro dizer-se 'Jesus'... Cada cristão pode ter em si o Cristo...”[61] Se as evidências acima forem conclusivas de que Deus normalmente é conceituado em categorias deístas, ocultas e panteístas, então é impossível que Jesus Cristo seja o Filho unigênito de Deus. Ele se torna apenas “um grande mestre de moralidade” ou protótipo de divinização - algo corroborado por vários dos principais autores maçons.[62] Entretanto, apesar das múltiplas negações da divindade de Jesus Cristo, os cristãos maçons ressalvam que tais não passam de diferenças de convicções religiosas, todas permitidas sob o teto maçônico; assim, uma posição é igual à outra.
Uma história recente toca nesse ponto. O Venerável Mestre James Shaw (33°) era um orador experiente da cerimônia do Cavaleiro Rosa-Cruz (18° grau do Rito Escocês), que é praticada toda quinta-feira da Semana Santa. Conforme havia feito muitas vezes, mas agora como um cristão recém-convertido - estando todos vestidos em mantos pretos e encapuzados – ele começou a conduzir o ritual: “Encontramo-nos neste dia para comemorar a morte de nosso 'Sapientíssimo e Perfeito Mestre', não como inspirado ou divino, pois isto não compete a nós decidir, mas como pelo menos o maior dos apóstolos da humanidade”. A mesa em forma de cruz, sobre a qual há rosas vermelhas, é o lugar onde o mestre dirige a ceia maçônica, com vinho e pão: “Comei e dai de comer a quem tem fome... Bebei e dai de beber a quem tem sede”. Depois de apagar todas as velas do candelabro, com exceção de uma, o mestre anuncia a morte do “Sapientíssimo e Perfeito Mestre” - “Ele está morto! Lamentai, pranteai e chorai, pois ele se foi” e apaga a última vela, tudo terminando em escuridão.[63] Embora Shaw tivesse conduzido esse mesmo ritual diversas vezes, nesta ocasião ele estava tremendo e com náusea, reconhecendo o significado cristológico do que fazia: “Tínhamos dramatizado e comemorado a extinção da vida de Jesus, sem mencionar sequer uma vez seu nome... Eu havia acabado de chamar Jesus de 'um apóstolo da humanidade' que não era inspirado nem divino”. Logo depois, Shaw renunciou à loja.[64] Sua conclusão foi que o sentido anticristão não representava apenas uma facção maçônica ocultista declarada, mas certos rituais e ensinos básicos da maçonaria são deliberadamente antagonistas à fé cristã.
6. Como Alguém É Salvo na Maçonaria?
Quando o iniciado (chamado profano) participa do primeiro grau de Aprendiz-Maçom, confessa-se que ele (vendado, nesse momento) vivia nas trevas e estava cego, mas, agora, deseja entrar à verdadeira luz da maçonaria.[65] Não há nenhuma exceção para o cristão. Enquanto a irmandade não articula publicamente um caminho de salvação, existem pressuposições inegáveis - vistas desde o primeiro rito até o sepultamento de cada maçom. A perspectiva soteriológica da maçonaria é percebida através de quatro conceitos, os quais orientam toda sua prática: (a) a natureza do homem; (b) a aceitação de Deus; (c) a vida vindoura; e (d) o proselitismo evangélico.
a. A natureza do homem. O cristianismo clássico confessa a verdade irônica de que o ser humano, sendo criado na imagem de Deus, é ontologicamente superior e separado das outras criaturas terrestres. Ao mesmo tempo, porém, ele é espiritualmente rebelde e corrupto, afastado de Deus e morto em suas transgressões - ou seja, ele é moralmente o pior ser terrestre. Apesar de suas muitas instruções moralistas, a maçonaria é marcada por uma ausência total dos conceitos de pecado e arrependimento (nem possui tais palavras em seus dicionários). Em vez de estar separado do G.A.D.U., o homem é visto como apenas imperfeito e não-iluminado, algo simbolizado na Pedra Bruta (cubo polígono) do Aprendiz, que nos graus seguintes é burilada e polida: “Símbolo da Idade Primitiva e, portanto, do homem em estado natural e sem instrução, a Pedra Bruta é a imagem da alma do profano antes de ser instruído nos mistérios maçônicos”.[66] O profano, ou não-maçom, não está derradeiramente perdido, mas encontra-se apenas mais longe de Deus do que a elite fraternal da maçonaria, que possui a responsabilidade de construir “o Templo da Humanidade”. A loja é o meio através do qual os homens podem melhorar a si mesmos e procuram “levantar templos à Virtude e cavar masmorras ao vício”.[67] Assim, a maçonaria pressupõe essencialmente a natureza boa de cada ser humano, mas esta natureza precisa de um despertamento e de uma iluminação por meio da filosofia da fraternidade.[68] Obviamente, não há necessidade e nem motivo para a propiciação de pecados mediante a morte de Jesus Cristo na cruz.
b. A aceitação de Deus. “A maçonaria”, afirma J. S. M. Ward, “ensina que cada homem, por si mesmo, pode desenvolver seu próprio conceito de Deus e, assim, alcançar a salvação”.[69] Sem dúvida, a maçonaria promulga a idéia de que, através de seus próprios esforços, o homem é aperfeiçoado e torna-se digno perante o G.A.D.U. A regeneração, ou conversão, é essencialmente um processo da alma humana.
A doutrina da regeneração foi ensinada, nos Antigos Mistérios, por símbolos: não é, porém, o dogma teológico da regeneração peculiar à Igreja Cristã, mas o dogma filosófico de uma mudança da morte para a vida, isto é, um novo nascimento para a existência imortal... É esta a doutrina ensinada nos Mistérios maçônicos, e muito especialmente no simbolismo do Terceiro Grau [ressurreição de Hirãm-Abif]. Não precisamos dizer que o Maçom se acha regenerado pelo fato de ter sido iniciado, mas tão-somente que foi doutrinado na filosofia da regeneração, ou na do renascimento de todas as coisas - da luz surgindo das trevas, da vida nascendo da morte, da vida eterna em substituição da vida transitória.[70]
Rizzardo da Camino acrescenta: “A finalidade precípua da Maçonaria é o ato regenerativo. A reconstrução do ser humano, da Natureza, do Cosmos, são os ideais maçônicos”.[71] Se alguns expositores da maçonaria falam de uma salvação realizada por uma progressão que envolve o auto-aperfeiçoamento e boas obras, outros, como Albert Pike, avançam mais um passo, já visto anteriormente: “Em cada ser humano, o Divino e o Humano estão entrelaçados”, e “a maçonaria é a subjugação do Humano pelo Divino que está no homem”.[72] Como Pike, Gervásio de Figueiredo pressupõe a divindade inata de cada homem: “Deus é a alma de tudo... Deus e o mundo são apenas um”.[73] Diante das múltiplas afirmações maçônicas sobre a natureza da salvação, muitos autores concluem que a soteriologia maçônica é antiética à fé evangélica, conforme articulado pelo escritor maçônico E. A. Coil:
O fato de a diferença fundamental entre os princípios incorporados nos credos históricos da cristandade e aqueles de nossas ordens secretas modernas não ter sido claramente refletida é indicado pela evidência de que muitos comprometem-se com ambos. Há maçons que, nas igrejas, aderem à doutrina de que "somos considerados justos perante Deus apenas pelo mérito de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, pela fé, e não por nossas próprias obras e merecimentos", e entusiasticamente juntam-se ao coro dos hinos nos quais essa idéia é expressa. Então, em suas reuniões maçônicas, exatamente com o mesmo entusiasmo, eles assentem à seguinte declaração: "Embora nossos pensamentos, palavras e ações possam ser ocultos dos olhos dos homens, ainda assim aquele Olho-Que-Tudo-Vê, a quem o sol, a lua e as estrelas obedecem... penetra nos recantos mais íntimos do coração humano, e nos recompensará de acordo com nossos méritos". Uma criança pequena, assim que se chame sua atenção para o assunto, deve ser capaz de perceber que é impossível harmonizar a frase do credo aqui citada com a declaração extraída da admoestação de uma de nossas maiores e mais eficazes ordens secretas, e encontrada, na totalidade, nas liturgias de todas, ou quase todas, as outras... Uma dessas afirmações exclui a outra. Os homens não podem coerentemente anuir a ambas.[74]
Na maçonaria, a salvação do homem é alcançada sem Jesus Cristo. O ser humano alcançará a perfeição e a aprovação divina através de seus próprios esforços moralistas, senão por sua própria divinização.
c. A vida vindoura. O Landmark n° 20 declara que, de cada maçom, “é exigida a crença de uma vida futura”.[75] A imortalidade da alma é uma das doutrinas mais importantes da confraria. Por isso, tendo obtido a permissão da família, os maçons exigem o controle exclusivo sobre o último rito do irmão falecido. Embora os rituais fúnebres variem, todos declaram que
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